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Brasileiro que vive em Massachusetts une inteligência artificial e jovens de Ruanda em projeto musical internacional

O compositor e produtor musical brasileiro Glendor Chinager Alves, que vive em Massachusetts, transformou uma ideia surgida dentro de casa em uma colaboração que atravessou três continentes. A música “Walk Like I Walk”…

Publicado em 09/19/26
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Brasileiro que vive em Massachusetts une inteligência artificial e jovens de Ruanda em projeto musical internacional

O compositor e produtor musical brasileiro Glendor Chinager Alves, que vive em Massachusetts, transformou uma ideia surgida dentro de casa em uma colaboração que atravessou três continentes. A música “Walk Like I Walk” reúne composição brasileira, produção desenvolvida nos Estados Unidos, vocais gerados por inteligência artificial e a participação de jovens dançarinos do grupo African Mirror, de Ruanda, na África.

A inspiração apareceu enquanto Glendor e a esposa, Marilda, assistiam a vídeos de jovens africanos dançando e produzindo conteúdos de comédia. Impressionada com a criatividade e a alegria dos artistas, ela sugeriu que o marido, que já experimentava ferramentas de inteligência artificial em suas composições, criasse uma música inspirada naquele universo.

O refrão começou a tomar forma quando Glendor pensou na quantidade de pessoas que reproduziam aquelas coreografias. As frases “They can’t walk like I walk” e “talk like I talk” surgiram primeiro e serviram de ponto de partida para o restante da composição.

Segundo o produtor, a intenção era transformar em música a energia e a alegria que enxergava nos vídeos, ao mesmo tempo em que celebrava a individualidade e a maneira própria de cada pessoa se expressar.

O contato com o African Mirror começou por meio de outro trabalho de Glendor. Ele havia lançado a música “67”, sob o nome MC Trolla, também utilizando inteligência artificial, e decidiu divulgá-la no TikTok incentivando jovens a criarem coreografias.

Durante esse processo, o African Mirror entrou em contato com o brasileiro. As conversas avançaram, o grupo também dançou “67” e a relação acabou se transformando em amizade. Foi dessa aproximação que nasceu a participação dos jovens em “Walk Like I Walk”.

Para Glendor, o projeto passou a representar uma ligação entre suas raízes no Brasil, sua trajetória nos Estados Unidos e o talento dos dançarinos em Ruanda.

A tecnologia também ocupa papel central na produção. Glendor explica que as letras e a concepção criativa são de sua autoria, enquanto ferramentas de inteligência artificial são utilizadas na produção e na geração das vozes que interpretam suas composições. Sua experiência anterior na criação de batidas também integra o processo.

Ele afirma que encontrou na IA uma maneira de voltar a produzir e divulgar músicas depois de um período afastado da carreira.

“Quando pensei em retornar, cheguei a achar que estava velho para recomeçar”, conta. O incentivo da esposa e o contato com trabalhos de outros produtores que utilizavam inteligência artificial fizeram com que decidisse experimentar a tecnologia.

De Belo Horizonte a Massachusetts

A relação de Glendor com a música, entretanto, começou muito antes da inteligência artificial.

Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, ele cresceu em uma família ligada à música e à dança. O pai dançava break e foi uma das primeiras influências do filho.

A mudança para os Estados Unidos ocorreu depois que o pai veio ao país para cuidar da avó de Glendor, que estava doente. Posteriormente, surgiu uma oportunidade para regularizar sua situação por meio do trabalho, e a família decidiu se estabelecer nos EUA.

Já em Lowell, Massachusetts, uma experiência escolar ajudou a definir o caminho do futuro compositor. Com dificuldades para aprender inglês, Glendor encontrou apoio em uma professora da Rogers School, que percebeu seu interesse pela música e o incentivou a escrever poesia.

Um de seus poemas venceu um concurso na cidade. Segundo Glendor, a professora então lhe disse que ele tinha talento para escrever músicas. A frase ficou marcada em sua trajetória.

Mais tarde, participou do grupo de hip-hop em português BRZ Family, aprendeu produção de batidas com o amigo Dayson e se apresentou em eventos, incluindo o Miss Brasil USA. Também desenvolveu trabalhos solo como Glen Alves G-Star.

Após se batizar em Cristo, passou a refletir sobre o conteúdo de suas letras e decidiu se afastar daquele estilo de hip-hop, concentrando-se na fé e posteriormente na família. Casou-se com Marilda e o casal teve dois filhos.

A música reapareceu em sua rotina quando começou a produzir batidas para vídeos do canal de viagens da família, Bora Ali USA e Pelo Mundo. Incentivado novamente pela esposa, retomou as composições. Dessa nova fase nasceu o álbum “Network”, produzido sob o nome N8GO Beats.

IA, autoria e limites

Em meio ao avanço da inteligência artificial na indústria musical, Glendor defende que a tecnologia seja encarada como uma ferramenta para ampliar possibilidades, especialmente para compositores que nunca tiveram acesso a gravadoras ou grandes estruturas de produção.

Ao mesmo tempo, considera fundamental diferenciar a tecnologia da participação artística humana.

“Não acredito que ela substitua o valor de um cantor e de sua interpretação humana. No meu caso, a tecnologia me ajudou a dar voz às minhas letras”, afirma.

O produtor também defende transparência sobre o uso dessas ferramentas, respeito ao trabalho de outros artistas e identificação clara das contribuições humanas e artificiais. Em “Walk Like I Walk”, destaca, os vocais são produzidos com IA, enquanto os integrantes do African Mirror são jovens reais que participam do videoclipe com suas próprias performances.

Agora, Glendor pretende continuar compondo e experimentando diferentes estilos. Entre seus planos está também dar continuidade à parceria com o grupo de Ruanda.

Mais do que divulgar sua própria produção, ele espera que “Walk Like I Walk” ajude a ampliar a visibilidade dos jovens africanos com quem construiu uma amizade à distância.

Ainda não há novos projetos confirmados, mas Glendor acredita que a conexão iniciada pela internet entre Brasil, Estados Unidos e Ruanda possa ser apenas o primeiro capítulo de outras colaborações.

Para assistir ao vídeo, acesse o link https://youtu.be/5rUTMu2vpKY

Fonte: Da redação

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