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Revista Brazilian Times # 84
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Brasileiros aceleram envio de remessas aos EUA em meio à repressão imigratória

Medidas mais rígidas do governo Trump aumentam transferências de dinheiro para o Brasil, mesmo com queda global nas remessas internacionais.

As novas políticas de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm impulsionado o envio de remessas de dinheiro de brasileiros que vivem no país.
Enquanto o volume global de transferências pessoais para o Brasil caiu 2,7% entre janeiro e setembro de 2025, os envios vindos dos Estados Unidos cresceram 2,8% no mesmo período, alcançando quase US$ 1,7 bilhão, segundo dados do Banco Central do Brasil.

De acordo com especialistas, o aumento está diretamente ligado ao medo de deportações e à instabilidade gerada pela intensificação das ações de imigração. “É verdade que as transações com os EUA aumentaram”, afirma Eduardo Campos, chefe de câmbio do Banco Daycoval. “Nossos parceiros no exterior, tanto em canais digitais quanto em lojas físicas, perceberam uma mudança clara no comportamento dos clientes.”

Campos explica que, nas lojas físicas, o número de operações caiu, mas o valor médio por envio aumentou. “A questão da imigração fez com que as pessoas evitassem frequentar locais físicos, que podem ser vistos como pontos de risco. Quando vão, aproveitam para enviar quantias maiores de uma só vez”, observa.

Nos canais digitais, o comportamento é oposto: os valores médios por transação diminuíram, mas a frequência aumentou. “Com a volatilidade do câmbio, muitos preferem fazer três ou quatro transferências no mesmo dia, tentando aproveitar o melhor momento da cotação”, completa Campos.

O aumento também é sentido por organizações comunitárias. Rodrigo de Godoi, presidente da ONG Mantena Global Care, que apoia imigrantes latino-americanos nos EUA, relata que muitos brasileiros estão enviando mais dinheiro para o Brasil desde o início do ano. “Quando começaram a falar em multas e taxas para famílias imigrantes, muita gente em situação irregular decidiu mandar suas economias para o Brasil. Alguns até venderam bens que tinham aqui”, afirma.

Ele acrescenta que empresas brasileiras também estão oferecendo alternativas legais para essas transferências.

Em Newark, Nova Jersey, onde há uma grande comunidade brasileira, as casas de remessa continuam populares, mas cresce o uso de aplicativos especializados em transferências internacionais.

 

Especialistas pedem cautela com os números

Para André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica e consultor da Remessa Online, o movimento ainda está dentro da variação esperada. “Esses fluxos entre EUA e Brasil fazem sentido diante do medo de deportações e penalidades, mas ainda não está claro se isso representa uma tendência duradoura. Pode acontecer, mas é cedo para afirmar”, avalia.

Campos, do Daycoval, lembra que o Banco Central contabiliza apenas parte das operações — aquelas que passam pelo sistema formal de câmbio. “Muitos acabam recorrendo a métodos menos regulados, como criptomoedas”, explica. “Ainda não há dados que mostrem claramente o impacto disso, mas é um mercado que está crescendo.”

 

Criptomoedas ganham espaço

Segundo Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento, as stablecoins — moedas digitais atreladas a moedas tradicionais, como o dólar — podem se tornar uma alternativa mais eficiente ao sistema bancário tradicional. “Elas reduzem intermediários, aceleram as transações e têm custo menor. Além disso, há uma assimetria no IOF: as remessas via criptomoedas pagam menos imposto”, destaca.

Mas o especialista faz um alerta: “Esse ainda é um mercado sem regulamentação no Brasil. Se algo der errado, não há garantias nem possibilidade de reversão, como existe no sistema bancário convencional.”

O Banco Central do Brasil concluiu em agosto uma consulta pública sobre a contabilização de ativos virtuais e prepara uma regulação específica, que deve definir a forma como essas operações serão tributadas e monitoradas.

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