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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Coluna Debora Corsi: #TBT: quando a memória é afeto, e não prisão

Nas redes sociais, tornou-se comum ver às quintas-feiras uma enxurrada de fotos antigas acompanhadas da hashtag TBT.

Nas redes sociais, tornou-se comum ver às quintas-feiras uma enxurrada de fotos antigas acompanhadas da hashtag TBT. O costume, que significa Throwback Thursday (quinta-feira da lembrança), ganhou força justamente por trazer ao presente registros de momentos marcantes do passado, quase sempre carregados de emoção.

Não há problema algum em revisitar boas memórias. O risco surge quando a lembrança deixa de ser afeto e passa a se tornar prisão. Recordar é saudável; viver mergulhado na nostalgia pode se transformar em um castigo silencioso.

Muitos compartilham fotos antigas para expressar saudade. Outros, porém, utilizam o recurso para relembrar viagens, festas ou conquistas que desejam reafirmar. Em alguns casos, a ausência de novos acontecimentos na vida presente leva a pessoa a se apegar ao passado. O feed do amigo, sempre atualizado, desperta comparação e até inveja. A saída encontrada, então, é recorrer a uma foto antiga com uma legenda de impacto e, claro, o tradicional #TBT.

As redes sociais, nesse contexto, funcionam como válvula de escape — verdadeiros divãs virtuais que abrigam desabafos, indiretas e até conteúdos de experiências que nunca existiram. O alerta necessário é que o excesso de nostalgia pode abrir espaço para frustrações e até para o caos emocional.

E se, em vez de apenas revisitar memórias, criássemos novas histórias para contar? Que tal reservar a quinta-feira — ou qualquer outro dia da semana — para experiências simples, mas cheias de significado? Preparar uma receita em família, deixar as crianças sovarem a massa do pão, dançar na chuva com amigos ou organizar um jantar à luz de velas. Momentos assim se tornam tão intensos que, muitas vezes, nem sobra tempo para fotografar.

Uma postagem nostálgica ocasional é natural. Mas, quando o presente dá lugar apenas às lembranças, corre-se o risco de viver uma vida que escorre pelos dedos. A verdadeira transformação está em trocar a nostalgia por experiências que façam o coração bater mais forte — e não apenas as teclas do smartphone.

É claro que sempre haverá quem acredite ser impossível viver sem registrar cada detalhe. O ponto, porém, está na intencionalidade: se for apenas mais uma foto para compor a rede, certamente atrairá olhares, mas de que isso vale? Afinal, a foto guarda o registro do evento, mas a experiência vivida, nenhuma tecnologia será capaz de capturar.

Na memória, teremos muitos TBTs que provocarão lágrimas reais sem necessidade de compartilhamento público.

Quem sabe, no futuro, o melhor throwback seja apenas uma frase: “Vivi momentos tão especiais que o registro está na alma, e será lembrado até o último fôlego de vida.”

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