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Revista Brazilian Times # 85
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Conheça o caso do brasileiro que cumpre prisão perpétua nos EUA e hoje quer se ser executado: “Não aguento mais”

A defensora pública Katherine Puzoni, que tem clientes no corredor da morte, diz que nunca ouviu um caso como o de Osvaldo. Ela acha que não é legalmente possível a Justiça fazer o que o brasileiro quer.


O objetivo de grande parte dos presos que aguardam no corredor da morte é claro: evitar a execução. No entanto, a história do brasileiro Osvaldo Almeida percorre um caminho oposto e raro, tornando-se um dos casos mais impactantes e controversos do sistema de Justiça criminal dos Estados Unidos.

Condenado à pena de morte por três assassinatos cometidos na década de 90, Osvaldo protagonizou uma reviravolta considerada improvável até por especialistas. Após recursos judiciais, a sentença foi revertida para prisão perpétua, afastando-o da execução e garantindo sua sobrevivência. À época, a decisão representou uma vitória jurídica. Com o passar dos anos, porém, transformou-se em motivo de arrependimento.

Osvaldo teve uma vida confusa e até suspeitas de abuso na infância. Ele nasceu em Boston (Massachusetts), filho de uma brasileira e de um português. Aos 5 anos, depois que os pais se separaram, foi morar no Recife com o pai. Aos 12, voltou para os Estados Unidos, com a mãe, Severina Gamboa, e virou cozinheiro.

Atualmente, a mãe mora em Orlando, na Flórida.

Há 32 anos encarcerado, Osvaldo cumpre pena em uma prisão da Flórida. Ele foi condenado pelo assassinato de duas prostitutas, Marilyn Leath e Chequita Kahn, e, poucos dias depois, pela morte de Frank Ingargiola, gerente de um bar que se recusou a atendê-lo. Durante o julgamento, o próprio réu chegou a afirmar que merecia a pena capital.

Apesar das declarações posteriores de arrependimento e de sua conversão religiosa, a Justiça americana manteve a condenação. As famílias das vítimas também não demonstraram apoio a qualquer possibilidade de revisão da pena. Assim, a prisão perpétua sem perspectiva de liberdade tornou-se definitiva.

Passados 25 anos desde que deixou o corredor da morte, Osvaldo afirma ter chegado a uma conclusão extrema: teria preferido ser executado. Segundo ele, a rotina carcerária é marcada pela repetição, pelo isolamento e pela ausência completa de esperança de um dia voltar à sociedade.

O caso é considerado excepcional e juridicamente quase impossível de ser alterado. A legislação dos Estados Unidos não prevê a retomada da pena de morte por vontade do condenado após a sentença ter sido comutada.

A defensora pública Katherine Puzoni, que tem clientes no corredor da morte, diz que nunca ouviu um caso como o de Osvaldo. Ela acha que não é legalmente possível a Justiça fazer o que o brasileiro quer.

Dessa forma, Osvaldo Almeida segue encarcerado, condenado a passar o resto da vida em uma cela, vivendo o paradoxo que tornou sua história singular: a de um homem que conseguiu escapar da morte, mas que hoje afirma carregar o peso de uma existência sem saída, desejando o fim que um dia evitou.

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