Uma complexa rede de fraudes envolvendo diplomas de mestrado e doutorado emitidos por instituições estrangeiras está sendo investigada por Ministérios Públicos, Polícia Federal (PF) e polícias civis em diferentes estados brasileiros. O esquema, que começou em países vizinhos como o Paraguai, agora se expandiu e inclui a atuação de supostas “universidades norte-americanas” registradas principalmente na Flórida.
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“Fábricas de diplomas” dos EUA invadem o Brasil
Uma complexa rede de fraudes envolvendo diplomas de mestrado e doutorado emitidos por instituições estrangeiras está sendo investigada por Ministérios Públicos, Polícia Federal (PF) e polícias civis em diferentes estados brasileiros. O esquema, que começou em países vizinhos como o Paraguai, agora se expandiu e inclui a atuação de supostas “universidades norte-americanas” registradas principalmente na Flórida.
Segundo o delegado da Polícia Civil da Paraíba, Francisco Iasley Lopes de Almeida, que apura a comercialização de diplomas falsos, trata-se de um mercado em rápida expansão. “De americano, só o registro da empresa. Dono, corpo docente, tudo brasileiro. Currículos e aulas em português”, afirmou.
O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), César Callegari, também alertou para a gravidade do caso. Após receber relatos sobre fraudes envolvendo instituições no Paraguai, ele foi informado sobre operações semelhantes partindo da Europa e dos Estados Unidos. “Parece que é apenas a ponta de um iceberg”, disse Callegari, acrescentando que o CNE aprovou resolução que endurece as regras de validação de diplomas estrangeiros.
Na Flórida, a facilidade para registrar empresas é um dos atrativos para golpistas. Em poucas horas é possível abrir uma “universidade” no sistema oficial do estado. Muitos desses grupos ainda solicitam isenção religiosa ao Departamento de Educação local, mecanismo que deveria servir apenas a instituições teológicas, mas que é usado para dar aparência de credibilidade.
A fraude acontece quando essas instituições, registradas como confessionais, passam a ofertar clandestinamente cursos seculares — como administração ou educação — voltados ao público brasileiro. Sites em português, parcerias fictícias com faculdades nacionais e certificações sem validade oficial reforçam a aparência de legitimidade.
Um dos casos em apuração envolve a Facultad Interamericana de Ciencias Sociales (FICS), no Paraguai, cujos diplomas foram chancelados por universidades brasileiras e submetidos à plataforma Carolina Bori, do Ministério da Educação (MEC), para revalidação.
Especialistas estimam que a emissão e validação de diplomas falsos movimenta milhões de reais. Cada processo de reconhecimento custa, em média, R$ 6 mil. Só em um caso, a Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) aparece como responsável por 477 deferimentos de diplomas da FICS.
O prejuízo também afeta o setor público, já que muitos dos beneficiados são professores de redes estaduais e municipais que utilizam os títulos para ascender na carreira e obter aumentos salariais. “Não trato os professores como cúmplices, mas como vítimas. Infelizmente, uma vez comprovada a fraude, os diplomas serão questionados e já há casos de demissões”, afirmou o delegado Lopes de Almeida.
A Capes informou, em nota, que recebe e apura todas as denúncias encaminhadas aos seus canais oficiais e que coopera com a PF e órgãos de controle. “O reconhecimento de diplomas obtidos no exterior é regulamentado pelo MEC e cabe às universidades brasileiras analisar cada pedido”, destacou a fundação.
A FICS, por sua vez, negou irregularidades. Em comunicado, disse que aguarda regulamentação definitiva do Congresso paraguaio e que ingressou com mandado de segurança na Justiça de Alagoas para restabelecer a validação de seus diplomas no Brasil.
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