O caso tem repercutido amplamente entre empresários do setor joalheiro e chamou atenção pela sofisticação do suposto esquema e pelo uso recorrente de narrativas emocionais para ganhar tempo e manter a confiança das vítimas.
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Investigação aponta que brasileira suspeita de golpe milionário com joias usava histórias dramáticas para enganar vítimas
A empresária brasileira Camila Briotti, investigada no Brasil e nos Estados Unidos por um suposto esquema de fraude envolvendo joias de luxo, teria utilizado uma série de desculpas elaboradas e emocionais para adiar pagamentos e evitar a devolução de peças recebidas em consignação. Segundo as investigações, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 100 milhões.
De acordo com depoimentos de vítimas e documentos reunidos pela polícia, Camila conquistava a confiança de joalheiros, realizava algumas transações corretamente e, posteriormente, passava a atrasar pagamentos, apresentando justificativas dramáticas e, em alguns casos, aparentemente falsas.
Em mensagens e áudios obtidos pelos investigadores, Camila atribuía os atrasos a problemas internos e dificuldades operacionais.
Em uma das gravações, ela afirma que enfrentava obstáculos com uma suposta funcionária do setor financeiro e dizia estar empenhada em quitar os valores “o quanto antes”.
Segundo as vítimas, no entanto, os depósitos prometidos nunca eram efetivados.
Uma das histórias relatadas às vítimas envolvia uma suposta mordida de cachorro no rosto. Para sustentar a versão, Camila teria enviado uma fotografia e feito ligações em tom de desespero. “Ela chorou no telefone, fez o maior drama”, relatou uma das vítimas.
Posteriormente, ao retirar o curativo, segundo o depoimento, não havia qualquer sinal visível do ferimento.
Outro episódio mencionado na investigação ocorreu após um evento de vendas realizado nos Estados Unidos.
Segundo uma joalheira de São Paulo, Camila alegou que não conseguiria efetuar o pagamento porque uma funcionária de uma loja teria morrido eletrocutada.
A história causou comoção entre as vítimas, mas foi rapidamente desmentida quando elas verificaram as redes sociais do estabelecimento e constataram que o evento havia transcorrido normalmente.
Em outra ocasião, Camila enviou a foto de uma bolsa supostamente repleta de dólares, afirmando que um motorista estava a caminho para entregar o dinheiro.
As vítimas aguardaram por longos períodos, mas a quantia nunca foi recebida.
A resposta recorrente, segundo os relatos, era de que o motorista “já estava chegando”.
As autoridades americanas informaram que parte das joias consignadas foi localizada em casas de penhor nos Estados Unidos, onde teriam sido vendidas por valores muito abaixo do mercado.
Esse fato reforçou as suspeitas de estelionato e desvio de patrimônio.
Camila Briotti é investigada por estelionato nos dois países.
A defesa da empresária informou que irá se manifestar no momento oportuno e sustenta que as acusações apresentadas até agora não são acompanhadas de provas suficientes.
As apurações seguem em andamento e buscam identificar a extensão total do prejuízo e o número de pessoas afetadas.
O caso tem repercutido amplamente entre empresários do setor joalheiro e chamou atenção pela sofisticação do suposto esquema e pelo uso recorrente de narrativas emocionais para ganhar tempo e manter a confiança das vítimas.
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