Um caso envolvendo a esposa brasileira de um militar do Exército dos Estados Unidos teve uma reviravolta surpreendente nesta semana. Maisa Lopes Eliaser, de 32 anos, chegou a embarcar em um voo de deportação para o Brasil, mas uma ligação recebida por agentes do ICE durante a viagem interrompeu sua remoção. Ela permaneceu no avião, retornou aos Estados Unidos e posteriormente foi libertada da custódia federal.
Maisa estava detida desde 8 de julho, quando compareceu a um compromisso relacionado ao seu processo migratório. Seu caso ganhou repercussão nacional após ser divulgado pela Associated Press como exemplo das detenções envolvendo cônjuges e familiares de integrantes das Forças Armadas.
Na quarta-feira, a brasileira foi colocada em um voo de deportação com destino ao seu país de origem. Segundo seu relato à AP, durante o trajeto agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) receberam uma ligação relacionada ao caso.
Depois da chamada, um agente teria perguntado a Maisa se ela preferia continuar para o Brasil ou retornar aos Estados Unidos.
“Quem fez a ligação? Nós não sabemos”, declarou o marido, Staff Sgt. Alexis Jaramillo. “Mas alguém fez a ligação, e então ela voltou.”
Quando a aeronave chegou ao Brasil e outros detidos desembarcaram, Maisa permaneceu dentro do avião. Ela retornou posteriormente à Louisiana. Segundo a brasileira, agentes chegaram a dizer que ela estava “famosa” devido aos vídeos e à repercussão pública de seu caso.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, não respondeu imediatamente ao pedido de esclarecimentos da Associated Press sobre o que motivou a interrupção da deportação.
Ordem de deportação e casamento com militar americano
Maisa entrou nos Estados Unidos em 2019 com visto de turista e permaneceu no país além do período autorizado. Segundo informações anteriormente fornecidas pelo DHS à AP, um juiz de imigração emitiu uma ordem final de remoção em 15 de abril.
Ela é casada desde 2024 com Jaramillo, cidadão americano de 43 anos e especialista em operações de aviação que serve no Exército há mais de uma década.
Depois que Maisa foi detida, Jaramillo precisou se afastar temporariamente de suas funções de treinamento de soldados em Fort Polk, Louisiana, para cuidar do filho de 5 anos da brasileira.
O caso também chamou a atenção de parlamentares. Após reportagem da Associated Press abordar detenções de familiares de militares em meio às mudanças nas políticas migratórias do governo Trump, um grupo de democratas no Congresso iniciou uma investigação sobre deportações envolvendo integrantes das Forças Armadas e seus familiares.
Segundo Jaramillo, o senador democrata Mark Kelly, do Arizona, ex-oficial da Marinha, também buscou informações sobre o caso de Maisa.
A organização Repatriate Our Patriots, que auxilia militares e suas famílias em casos relacionados à deportação, também participou dos esforços em favor da brasileira.
“Essa reunião familiar é uma prova do que é possível quando as pessoas deixam a política de lado e fazem o que é certo por aqueles que servem”, declarou Danitza James, que dirige a organização.
Brasileira ainda tenta reabrir processo
Apesar da libertação, o caso migratório de Maisa ainda não está encerrado.
Ela tem um novo compromisso marcado para segunda-feira, quando buscará reabrir seu processo migratório e avançar com seu pedido de Green Card com base no casamento com Jaramillo.
O militar afirmou ter recebido informações de que não deveriam ocorrer novos problemas, mas reconheceu que o casal continua apreensivo.
“Estamos realmente, realmente, realmente assustados, mas temos que ir”, declarou Jaramillo.
Maisa também relatou dificuldades para retomar a rotina depois de passar mais de um mês sob custódia federal. Segundo ela, ainda enfrenta problemas para dormir e teme ser novamente enviada para um centro de detenção.
A brasileira descreveu o período de custódia como traumático e afirmou ter sido tratada “como um animal”.
“Parecia que eu estava em um pesadelo. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo até voltar para minha casa. Dia após dia, estou tentando me recuperar desse trauma”, disse.
O episódio ocorre em meio a outros casos de grande repercussão envolvendo familiares de militares. Nos últimos meses, intervenções políticas e mobilizações públicas também contribuíram para a libertação de outras esposas de integrantes das Forças Armadas que estavam sob custódia migratória.
No caso de Maisa, porém, permanece uma pergunta ainda sem resposta: quem fez a ligação que interrompeu sua deportação quando o avião já estava a caminho do Brasil?
Por enquanto, o que se sabe é que a brasileira, depois de mais de um mês detida e de chegar a iniciar a viagem que a retiraria dos Estados Unidos, está novamente em casa com sua família enquanto tenta uma nova oportunidade de permanecer legalmente no país.





