A disputa entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus críticos alcançou novas dimensões após a divulgação de um documento enviado à embaixada dos Estados Unidos no Brasil. No texto, o advogado Paulo Faria — defensor da brasileira com cidadania americana Flávia Magalhães — descreve a investigação contra sua cliente como “extraterrestre e extralegal” e solicita que Washington imponha sanções ao magistrado.
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O caso de Flávia Magalhães e a polêmica internacional envolvendo Alexandre de Moraes
A disputa entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus críticos alcançou novas dimensões após a divulgação de um documento enviado à embaixada dos Estados Unidos no Brasil. No texto, o advogado Paulo Faria — defensor da brasileira com cidadania americana Flávia Magalhães — descreve a investigação contra sua cliente como “extraterrestre e extralegal” e solicita que Washington imponha sanções ao magistrado.
Flávia, que vive na Flórida, é acusada de incitação ao crime e associação criminosa desde 2023. As medidas judiciais tiveram início após uma postagem em suas redes sociais, na qual alegava falsamente que Moraes havia se encontrado com Marcola, chefe do PCC, em um presídio de Brasília. O STF classificou a informação como fraudulenta, mas ainda assim determinou a abertura de inquérito.
Em agosto de 2023, Moraes mandou bloquear o passaporte brasileiro de Flávia. Segundo relatos dela, o documento foi retido em Recife, e suas contas no X (antigo Twitter) foram suspensas por ordem judicial. A plataforma, porém, se recusou a entregar dados, alegando que a usuária acessava os serviços sob jurisdição norte-americana.
A partir de fevereiro de 2024, a situação se agravou: Moraes expediu mandado de prisão preventiva contra Flávia, justificando descumprimento de decisões judiciais e a persistência em divulgar conteúdos classificados como desinformação.
A defesa argumenta que o STF não teria competência para processar o caso, já que Flávia não possui foro privilegiado, e denuncia falta de acesso aos autos do inquérito. Para o advogado, trata-se de uma atuação “inconstitucional e arbitrária” que viola o devido processo legal.
No início de 2025, Moraes flexibilizou parcialmente as restrições: autorizou a reativação da conta no X, mas manteve multa diária de R$ 20 mil caso a investigada publique mensagens de ódio, ataques a instituições ou conteúdos considerados falsos.
Enquanto aliados do ministro apontam equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção das instituições democráticas, críticos veem na decisão um exemplo de expansão excessiva do poder judicial. No ofício enviado à embaixada americana, Paulo Faria afirma que os direitos de sua cliente previstos na Constituição dos EUA foram desrespeitados, caracterizando perseguição política transnacional.
O caso já mobiliza setores conservadores nos EUA, que pressionam por sanções contra Moraes, como congelamento de bens e restrição de entrada no país. Fontes próximas ao Departamento de Estado confirmam que a notificação está sob análise, mas ainda sem indícios de ação concreta do governo Biden.
Agora, a disputa deixou de ser apenas jurídica e passou também ao campo diplomático, reacendendo discussões sobre soberania nacional, limites da atuação do STF e os impactos globais da interconexão digital.




