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Revista Brazilian Times # 83
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ACLU acusa polícia no Arizona de colaborar com imigração

A denúncia faz parte de uma ação judicial movida pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que detalha uma série de episódios ocorridos entre 2021 e 2023.

Da redação

Advogados de direitos civis estão acusando agentes do Departamento do Xerife do Condado de Pima, no Arizona, de colaborar ilegalmente com autoridades federais de imigração, mesmo após declarações públicas reiteradas de que não há esse tipo de cooperação.

A denúncia faz parte de uma ação judicial movida pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que detalha uma série de episódios ocorridos entre 2021 e 2023. Segundo os documentos apresentados à Justiça, policiais locais teriam acionado e coordenado diretamente com agentes da Patrulha de Fronteira para deter pessoas que não eram suspeitas de nenhum crime.

Em um dos casos citados, cinco homens que estavam em uma propriedade procurando trabalho foram abordados por agentes locais. Mesmo sem qualquer acusação criminal, os policiais ofereceram uma carona aos indivíduos até um restaurante — onde, segundo a denúncia, já haviam combinado previamente com agentes federais para realizar a detenção do grupo.

Outro episódio envolve um policial que abordou um grupo de homens à beira de uma estrada. Apesar de reconhecer que não havia suspeita de crime, o agente acionou a Patrulha de Fronteira para que os indivíduos fossem removidos. Em um terceiro caso, uma ligação ao 911 relatando a presença de pessoas “com sotaque estrangeiro” levou à intervenção policial, seguida de contato com autoridades migratórias.

De acordo com a ACLU, os casos indicam um padrão preocupante de cooperação inconstitucional com autoridades federais, especialmente direcionado a pessoas que falam espanhol ou não possuem documentos americanos.

“Os agentes parecem ter atuado contra indivíduos sem qualquer suspeita criminal, baseando-se apenas em características como idioma ou aparência”, aponta a ação judicial.

As acusações colocam em xeque as declarações do xerife do condado, Chris Nanos, que vinha afirmando publicamente que sua corporação não atua na aplicação de leis federais de imigração e que o status migratório não é uma preocupação de sua gestão.

O caso ocorre em meio ao aumento da pressão federal sobre autoridades locais para intensificar a cooperação com políticas migratórias, especialmente após o endurecimento das ações de imigração durante o atual governo. O Arizona, por sua localização na fronteira com o México, tem sido um dos principais focos desse debate.

Autoridades locais reagiram com preocupação às revelações. A supervisora do condado de Pima, Jen Allen, classificou os episódios como “extremamente perturbadores” e afirmou que a população precisa confiar nas instituições de segurança pública, independentemente de origem, idioma ou status migratório.

Além das acusações de cooperação indevida, a ação também questiona a falta de transparência do departamento. Segundo a ACLU, a corporação teria resistido por meses à liberação de documentos que detalham essas ocorrências, o que pode configurar violação das leis de acesso à informação do estado.

Especialistas em direitos civis alertam que a ausência de diretrizes claras sobre quando e como policiais locais devem interagir com autoridades migratórias abre espaço para abusos e violações constitucionais.

O caso segue em tramitação na Justiça e deve intensificar o debate nacional sobre os limites da atuação de forças policiais locais em questões de imigração — um tema cada vez mais central na política e na sociedade americana.

 

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