O caso segue cercado de lacunas, mas evidencia um histórico de violência, medo e indícios que, segundo as autoridades, apontam para um crime brutal ainda sem todas as respostas.
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Após suspeito de matar brasileira cometer suicídio, autoridades ainda não encontraram suposto corpo
Uma investigação que se arrastava há mais de um ano nos Estados Unidos teve um desfecho dramático na última semana. Autoridades do estado de Nova Jersey afirmam que a brasileira Janaina Freire Gonçalves, de 47 anos, desaparecida desde março de 2025, foi vítima de homicídio — e apontam o próprio marido, Brendan Trivisonno, como principal suspeito. Ele morreu após se barricar dentro de casa e disparar contra si mesmo no momento em que seria preso.
Janaina, que vivia na cidade de Elizabeth, no Norte de Nova Jersey, havia despertado preocupação entre amigos após relatar conflitos constantes com o companheiro. Segundo relatos obtidos pela imprensa local, ela descobriu que Trivisonno já era casado com outra mulher, residente em Lyndhurst, o que teria intensificado as discussões entre o casal.
O último contato com a brasileira ocorreu na noite de 10 de março de 2025. Após conversar com uma amiga, ela desapareceu sem deixar rastros. Dias depois, amigos passaram a mobilizar buscas, inclusive com publicações em redes sociais. O filho da vítima, de 27 anos, chegou a viajar do Brasil para os Estados Unidos para ajudar nas tentativas de localizá-la.
Durante meses, o caso permaneceu sem avanços públicos. As autoridades conduziram a investigação de forma reservada, até reunirem elementos suficientes para formalizar a acusação contra o marido.
Imagens e evidências reforçam suspeitas
De acordo com documentos judiciais divulgados pelos promotores, imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos conhecidos de Janaina. Na noite do desaparecimento, Trivisonno foi visto chegando ao prédio onde ela morava, dirigindo uma van branca com identificação de sua empresa de construção. A vítima aparece nas imagens permitindo a entrada dele no local.
Relatos de vizinhos indicam que houve uma discussão dentro do apartamento. Em determinado momento, Janaina teria gritado, exigindo as chaves do carro e ameaçando acionar a polícia. Pouco depois, o barulho cessou.
Ainda segundo a investigação, o suspeito foi flagrado deixando o prédio pouco antes das 23h, carregando uma bolsa e sacos de lixo. Ele retornou durante a madrugada e saiu novamente horas depois, descartando mais sacos em um caminhão de coleta. No dia seguinte, voltou ao local acompanhado de um funcionário, que relatou à polícia ter sido chamado para ajudar a carregar um objeto pesado.
Peritos também encontraram vestígios de sangue no quarto da vítima. Exames apontaram a presença de DNA tanto de Janaina quanto de Trivisonno.
Carta revela medo da vítima
Um dos elementos mais contundentes do caso foi a descoberta de uma carta escrita à mão por Janaina e guardada em um cofre. No documento, ela afirma temer pela própria vida e menciona diretamente o nome do companheiro, indicando que, caso algo acontecesse com ela, ele deveria ser responsabilizado.
A investigação também revelou que Trivisonno mantinha um casamento anterior ativo. A primeira esposa já tinha conhecimento do relacionamento extraconjugal.
Desfecho trágico e perguntas em aberto
Na manhã da última quinta-feira, por volta das 5h, investigadores foram até a residência de Trivisonno, em Lyndhurst, para efetuar a prisão. Segundo o chefe de detetives do condado de Bergen, Jeff Angermeyer, o suspeito se trancou no imóvel e, em seguida, tirou a própria vida.
Apesar do avanço no caso, autoridades ainda não confirmaram a localização do corpo de Janaina. Promotores também se recusaram a divulgar detalhes adicionais, alegando a sensibilidade da investigação.
O caso segue cercado de lacunas, mas evidencia um histórico de violência, medo e indícios que, segundo as autoridades, apontam para um crime brutal ainda sem todas as respostas.
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