Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4384

Última Edição #4384

Edição MA 4384

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 85
Última Edição #85

Centenas de brasileiros denunciam prejuízos após envios pela Águia Express; grupo reúne vítimas em busca de Justiça no Brasil e nos Estados Unidos

O que começou como um serviço para facilitar o envio de mudanças e pertences de brasileiros que vivem nos Estados Unidos para o Brasil transformou-se em um pesadelo para dezenas — e possivelmente centenas — de famílias. Clientes da empresa Águia Express denunciam que pagaram pelo transporte de caixas contendo móveis, eletrodomésticos, roupas, documentos, objetos de valor sentimental e bens adquiridos ao longo de anos de trabalho, mas nunca receberam grande parte do que enviaram.

Comprovante de uma das vítimas
Registro de uma das coletas feitas por Alessandro

O que começou como um serviço para facilitar o envio de mudanças e pertences de brasileiros que vivem nos Estados Unidos para o Brasil transformou-se em um pesadelo para dezenas — e possivelmente centenas — de famílias. Clientes da empresa Águia Express denunciam que pagaram pelo transporte de caixas contendo móveis, eletrodomésticos, roupas, documentos, objetos de valor sentimental e bens adquiridos ao longo de anos de trabalho, mas nunca receberam grande parte do que enviaram.

As denúncias se multiplicam diariamente. Em apenas um grupo criado no WhatsApp para reunir os prejudicados, cerca de 35 vítimas já compartilharam relatos, documentos, comprovantes de pagamento, contratos e conversas mantidas com a empresa. O objetivo é organizar uma ação conjunta para buscar reparação judicial tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Segundo os participantes do grupo, o número de pessoas afetadas pode ser muito maior. Embora ainda não exista um levantamento oficial, há estimativas entre as próprias vítimas de que centenas de clientes possam ter sido prejudicados ao longo dos últimos anos.

Prisão do proprietário trouxe novos questionamentos

A situação ganhou ainda mais repercussão após a prisão do proprietário da empresa, Alessandro Gomes Soares, de 27 anos, natural de Catuji (Minas Gerais). Ele foi preso por agentes do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) na cidade de Plymouth (Massachusetts).

De acordo com as informações, ele saiu para trabalhar e quando estava chegando ao local de serviço, os agentes surgiram e efetuaram a prisão.

Inicialmente, muitas vítimas acreditaram que a detenção estivesse relacionada às denúncias envolvendo as cargas desaparecidas. Entretanto, informações obtidas pelos próprios membros dos grupos indicam que a prisão ocorreu em 9 de julho por questões imigratórias, após autoridades constatarem que ele possuía dois mandados de prisão em aberto nos Estados Unidos.

Até o momento, não há confirmação de que sua prisão tenha relação direta com as denúncias envolvendo a empresa de transporte.

Meses de desculpas e promessas não cumpridas

Os relatos apresentam um padrão semelhante. Segundo as vítimas, após receber as caixas e o pagamento pelo serviço, a empresa informava sucessivos atrasos na entrega, sempre acompanhados de novas justificativas.

Quando os clientes começavam a cobrar explicações, Alessandro orientava que enviassem fotografias dos pertences, contratos e documentos para familiares dele no Brasil, alegando que isso ajudaria na localização das caixas.

Entretanto, conforme diversos depoimentos, depois do envio da documentação, as respostas simplesmente deixavam de existir.

Para muitas vítimas, essa prática servia apenas para ganhar tempo e reduzir momentaneamente a pressão dos clientes.

Caixas teriam sido perdidas em leilões de storages

Esta é uma das denúncias mais graves envolve o armazenamento das cargas. Segundo relatos obtidos pela reportagem, as caixas permaneciam guardadas em unidades de storage alugadas nos Estados Unidos enquanto aguardavam o envio ao Brasil.

O problema é que, conforme afirmam diversas vítimas, os aluguéis deixavam de ser pagos. Quando isso acontecia, as empresas responsáveis pelos depósitos iniciavam o procedimento legal de cobrança e posteriormente realizavam leilões das unidades, permitindo que terceiros adquirissem todo o conteúdo armazenado.

Há relatos de situações em que Alessandro teria precisado negociar diretamente com compradores desses leilões, pagando valores elevados para recuperar parte das caixas.

Mercadorias retidas na alfândega

Outra situação apontada pelas vítimas envolve cargas que chegaram ao Brasil, mas permanecem retidas há mais de seis meses na fiscalização aduaneira em São Paulo.

Segundo informações reunidas pelo grupo, a empresa não teria recolhido corretamente as taxas exigidas para a importação das mercadorias.

Como consequência, as multas e encargos já ultrapassariam R$ 40 mil, impedindo a liberação de diversas cargas.

Sonhos interrompidos

Os relatos revelam histórias de famílias que venderam suas casas nos Estados Unidos para retornar definitivamente ao Brasil.

Antes da mudança, enviaram praticamente toda a mobília, utensílios domésticos, roupas, equipamentos de trabalho e objetos pessoais acumulados durante anos de esforço.

Ao desembarcarem no Brasil, descobriram que as caixas nunca chegaram.

Em muitos casos, as pessoas precisaram recomeçar praticamente do zero.

Algumas afirmam já ter perdido a esperança de recuperar seus bens.

Jornalista relata prejuízo

Entre os prejudicados está a jornalista Claudia Abreu, que afirma ter contratado os serviços da Águia Express em outubro de 2025 para enviar sua mudança para Nova Lima (Minas Gerais).

Segundo ela, após perceber sucessivos adiamentos e a falta de informações concretas, iniciou uma série de cobranças.

Claudia afirma que Alessandro chegou a responder algumas mensagens garantindo que todas as caixas seriam entregues. No entanto, apenas as caixas contendo tintas e pincéis chegaram ao destino.

Os itens de maior valor — entre eles móveis, sofá, antiguidades e diversos objetos pessoais — nunca foram entregues.

Após meses sem solução, ela decidiu tornar o caso público e passou a reunir outras pessoas que enfrentam situação semelhante.

Mobilização das vítimas

Agora, os participantes do grupo trabalham para reunir o maior número possível de documentos, contratos, comprovantes de pagamento, conversas e depoimentos.

A intenção é fortalecer eventuais ações judiciais e colaborar com as investigações das autoridades competentes nos dois países.

As vítimas também pretendem identificar outras pessoas que possam ter sido prejudicadas.

Quem enviou caixas pela Águia Express e enfrentou atrasos, desaparecimento de mercadorias ou qualquer outro problema pode entrar em contato pelo WhatsApp +1 (978) 793-8880 ou pelo Instagram @claudiaabreuleite.

O objetivo é ampliar o levantamento de casos, reunir provas e fortalecer a atuação coletiva das vítimas na busca por responsabilização e reparação dos prejuízos.

Importante: As informações desta reportagem têm como base relatos e documentos apresentados pelas vítimas. As alegações ainda poderão ser objeto de investigação pelas autoridades competentes e eventual manifestação da empresa ou de seu proprietário deve ser considerada caso venha a ser apresentada.

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Deixe um comentário

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×