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Revista Brazilian Times # 84
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Especialistas alertam: mudanças na política de imigração podem agravar falta de cuidadores e elevar custos para famílias nos EUA

As recentes mudanças na política de imigração dos Estados Unidos podem agravar a escassez de profissionais responsáveis pelo cuidado de idosos e pessoas com deficiência, além de elevar os custos desses serviços para milhões de famílias americanas. O alerta é de especialistas em saúde e economia, que apontam a forte presença de imigrantes nesse setor.

As recentes mudanças na política de imigração dos Estados Unidos podem agravar a escassez de profissionais responsáveis pelo cuidado de idosos e pessoas com deficiência, além de elevar os custos desses serviços para milhões de famílias americanas. O alerta é de especialistas em saúde e economia, que apontam a forte presença de imigrantes nesse setor.

O planejador financeiro Louis Barajas, CEO da International Private Wealth Advisors, afirma que vivencia essa realidade dentro da própria família. Ao lado do irmão, ele ajuda o pai, de quase 90 anos, a cuidar da mãe, de 81 anos, que sofreu quatro acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e necessita de assistência constante.

Segundo Barajas, encontrar um cuidador qualificado tem sido uma tarefa extremamente difícil. Além da escassez de profissionais, os custos continuam aumentando, o que pesa ainda mais no orçamento das famílias.

Os pais dele, que emigraram do México para os Estados Unidos no fim da década de 1950, não possuem seguro para cuidados de longo prazo e contam com recursos financeiros limitados, tornando a contratação de assistência ainda mais complicada.

Especialistas acreditam que o cenário poderá piorar diante do endurecimento das políticas migratórias promovidas pelo governo Trump, que intensificou ações de fiscalização, restringiu regras para concessão de vistos e passou a implementar medidas que reduzem a permanência legal de determinados grupos de imigrantes.

Para Drishti Pillai, diretora de políticas de saúde para imigrantes da organização KFF, a diminuição da participação de trabalhadores estrangeiros no setor de saúde tende a ampliar uma deficiência que já existe há anos.

Dados da entidade mostram que os imigrantes desempenham um papel fundamental no sistema de saúde americano. Atualmente, cerca de 3,3 milhões de profissionais da área — aproximadamente um em cada seis trabalhadores — nasceram fora dos Estados Unidos. Nos serviços de cuidados de longo prazo, como casas de repouso, residências assistidas e atendimento domiciliar, essa participação chega a cerca de 30% da força de trabalho.

Embora as estatísticas oficiais não identifiquem o status migratório dos trabalhadores estrangeiros, levantamentos da KFF apontam que, entre janeiro de 2025 e abril de 2026, houve redução de aproximadamente 600 mil trabalhadores imigrantes que não possuem cidadania americana. Parte dessa queda foi compensada pelo aumento do número de cidadãos naturalizados empregados.

Na avaliação dos especialistas, a combinação entre menos profissionais disponíveis e o envelhecimento acelerado da população americana tende a pressionar ainda mais os preços dos serviços de assistência.

Os números já refletem esse movimento. De acordo com a CareScout, empresa especializada em estudos sobre cuidados de longo prazo, o custo médio anual de atendimento domiciliar de 44 horas por semana chegou a aproximadamente US$ 80 mil em 2025. A remuneração média dos cuidadores não médicos também aumentou, atingindo cerca de US$ 35 por hora em todo o país.

Em estados como Nova York, o valor pode ser ainda maior. Segundo a especialista Abbe Udochi, diretora da Concierge Healthcare Counseling, agências privadas cobram, em média, US$ 40 por hora, enquanto alguns serviços em Connecticut chegam a cobrar até US$ 70 por hora.

Já uma vaga em quarto privativo de uma casa de repouso custa, em média, mais de US$ 129 mil por ano. Em residências assistidas, a despesa anual gira em torno de US$ 74 mil.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que as famílias avaliem a contratação de seguros para cuidados de longo prazo e incluam esse tipo de despesa no planejamento financeiro. Segundo Barajas, é importante enxergar os recursos financeiros não apenas como patrimônio, mas como uma ferramenta para garantir qualidade de vida e acesso aos cuidados de saúde quando eles forem necessários.

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