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Revista Brazilian Times # 83
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Estudante indígena transforma conexão ancestral com a terra em carreira promissora nos EUA

Filha das tradições dos povos White Mountain Apache e Navajo, Taylor cresceu em contato direto com a natureza, participando de cerimônias tradicionais, pescando e explorando o ambiente ao lado da família.

Da redação

A trajetória acadêmica de Shannon Taylor é marcada por identidade, resistência cultural e compromisso com o futuro de sua comunidade. Nascida e criada na reserva indígena Fort Apache, nas Montanhas Brancas do Arizona, a estudante se prepara para se formar em maio pela University of Arizona com um diploma em tecnologia de sistemas de informação geográfica (GIS, na sigla em inglês).

Filha das tradições dos povos White Mountain Apache e Navajo, Taylor cresceu em contato direto com a natureza, participando de cerimônias tradicionais, pescando e explorando o ambiente ao lado da família. Essas experiências despertaram uma vocação que hoje orienta sua carreira: usar a tecnologia para proteger e preservar terras ancestrais.

“Meus ancestrais lutaram por essa terra. É por causa deles que ainda estamos aqui”, afirmou Taylor, destacando o peso histórico e cultural de sua missão.

A estudante concluiu toda a graduação de forma remota, sem deixar sua comunidade, por meio do programa Arizona Online. Antes disso, passou por instituições como a Northland Pioneer College e o Tohono O’odham Community College, onde desenvolveu habilidades em ciências naturais e sistemas geográficos, além de obter certificações técnicas na área.

Durante a pandemia de COVID-19, a oferta de ensino gratuito para membros de tribos indígenas no Arizona abriu novas oportunidades para Taylor aprofundar sua formação sem precisar sair de sua terra natal — fator decisivo para sua permanência e sucesso acadêmico.

Atualmente, ela já atua no setor público, colaborando com programas florestais ligados ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, apoiando comunidades indígenas em estados como Montana e Minnesota. Após a formatura, assumirá uma função diretamente relacionada ao GIS, utilizando mapas e dados geográficos para gestão ambiental e monitoramento de projetos.

Para Taylor, a tecnologia é uma ferramenta essencial na defesa de questões indígenas. Ela cita, por exemplo, a ausência de endereços formais em muitas áreas tribais, o que dificulta serviços básicos, além de desafios ambientais como a preservação da truta Apache, espécie símbolo do Arizona que já esteve ameaçada de extinção.

“Problemas das comunidades indígenas precisam ser mapeados. Só assim conseguimos acesso a recursos e políticas públicas para proteção e recuperação”, destacou.

Além da aplicação técnica, Taylor vê na integração entre ciência moderna e conhecimento tradicional um caminho promissor. Segundo ela, saberes ancestrais sobre clima, ciclos naturais e biodiversidade, transmitidos por gerações, começam finalmente a ser reconhecidos pela ciência ocidental.

Com planos de seguir para um mestrado em práticas de resiliência, a jovem reforça seu compromisso com as futuras gerações. “Quero proteger essa terra e tudo que ela representa — cultura, idioma, valores, vida”, afirmou.

A história de Shannon Taylor evidencia não apenas uma conquista individual, mas também o fortalecimento de uma nova geração de profissionais indígenas que unem tradição e inovação para transformar suas comunidades.

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