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Revista Brazilian Times # 84
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Estudo aponta que Massachusetts precisará de 60 mil imigrantes por ano para sustentar a força de trabalho

Massachusetts precisará ampliar significativamente a entrada de imigrantes nos próximos anos para evitar a redução da população economicamente ativa e garantir mão de obra suficiente para sustentar sua economia. A estimativa é de que o estado necessite receber entre 60 mil e 64 mil novos imigrantes por ano até 2030, de acordo com um estudo divulgado pelo Boston Indicators em parceria com o MassINC Policy Center.

Massachusetts precisará ampliar significativamente a entrada de imigrantes nos próximos anos para evitar a redução da população economicamente ativa e garantir mão de obra suficiente para sustentar sua economia. A estimativa é de que o estado necessite receber entre 60 mil e 64 mil novos imigrantes por ano até 2030, de acordo com um estudo divulgado pelo Boston Indicators em parceria com o MassINC Policy Center.

Para Carline Desire, diretora-executiva da Associação de Mulheres Haitianas de Boston, a presença dos imigrantes é fundamental para o desenvolvimento do estado.

“Somos pessoas que ajudam a construir este país. Não estamos aqui para explorar o sistema, mas para trabalhar, sustentar nossas famílias e fortalecer nossas comunidades”, afirmou em entrevista ao Boston.com.

O levantamento alerta que a desaceleração da imigração pode provocar impactos diretos no crescimento econômico de Massachusetts, agravando a escassez de profissionais em áreas estratégicas, como saúde, educação superior, pesquisa e construção civil.

Os pesquisadores explicam que o estado enfrenta um cenário de envelhecimento da população, aposentadorias em ritmo acelerado e migração de moradores para outras regiões dos Estados Unidos. Somados, esses fatores resultam na perda de cerca de 29 mil trabalhadores por ano.

Como parte dos novos imigrantes não está em idade produtiva ou não ingressa imediatamente no mercado de trabalho, seria necessário receber praticamente o dobro desse número anualmente para manter o tamanho atual da força de trabalho.

Apesar dessa necessidade, a projeção para 2026 indica que Massachusetts deverá registrar um saldo líquido de aproximadamente 29 mil imigrantes internacionais — menos da metade do volume considerado necessário.

Hoje, os imigrantes representam aproximadamente um quarto de toda a força de trabalho do estado. Em 2024, movimentaram cerca de US$ 50,5 bilhões em consumo e contribuíram com aproximadamente US$ 7,4 bilhões em impostos estaduais e municipais.

O estudo também chama atenção para a tendência nacional de queda na imigração. Segundo estimativas do Departamento do Censo dos Estados Unidos, os fluxos migratórios podem cair quase 90% em comparação ao pico registrado em 2024 até meados de 2026. Já projeções da Brookings Institution indicam que o país poderá encerrar o ano com perda líquida próxima de 1 milhão de imigrantes.

Os pesquisadores destacam ainda o aumento das operações federais de fiscalização imigratória durante o governo Donald Trump, incluindo as ações Patriot 1 e Patriot 2, responsáveis por quase 3 mil prisões em Massachusetts. Entre os detidos estavam imigrantes brasileiros, haitianos e dominicanos.

“O cenário muda rapidamente, mas os dados já apontam uma redução consistente dos fluxos migratórios em nível estadual e nacional”, destaca o relatório.

Saúde pode ser um dos setores mais afetados

Entre os segmentos considerados mais vulneráveis está o sistema de saúde, que depende fortemente da mão de obra estrangeira.

Dados da Massachusetts Senior Care Association mostram que cerca de 40% dos profissionais que trabalham em instituições de longa permanência para idosos nasceram fora dos Estados Unidos. Desse total, aproximadamente 2 mil trabalhadores haitianos atuam sob proteção do Status de Proteção Temporária (TPS).

O programa permite que cidadãos de países afetados por guerras, desastres naturais ou crises humanitárias permaneçam e trabalhem legalmente nos Estados Unidos.

O relatório alerta que, caso o TPS seja encerrado, Massachusetts poderá perder cerca de 45 mil moradores que dependem dessa proteção migratória para permanecer legalmente no país.

A Suprema Corte ainda deverá decidir se o governo Trump poderá avançar com o encerramento do programa.

Segundo o estudo, as casas de repouso já enfrentam falta crônica de funcionários e operam com margens financeiras reduzidas. Atualmente, cerca de 13% das vagas para profissionais de atendimento direto permanecem abertas.

No mês passado, os senadores Ed Markey e Elizabeth Warren, juntamente com a deputada Ayanna Pressley, divulgaram uma análise alertando que o fim do TPS agravaria ainda mais a escassez de trabalhadores da saúde e reduziria o acesso da população aos serviços médicos.

“O sistema de saúde já enfrenta enorme pressão. Retirar esses profissionais apenas aumentaria os riscos para pacientes em todo o país”, afirmou Elizabeth Warren ao Boston.com.

Segundo a organização LeadingAge, a insegurança sobre o futuro do programa já provoca impactos. Alguns trabalhadores perderam a autorização de trabalho, enquanto outros decidiram deixar seus empregos por receio em relação à própria situação migratória.

Carline Desire afirma que os haitianos ocupam funções essenciais em hospitais, clínicas, instituições de longa permanência, atendimento domiciliar e áreas administrativas.

Ela alerta que novas perdas poderão aumentar a sobrecarga das equipes, elevar o esgotamento dos profissionais e comprometer ainda mais a qualidade do atendimento.

“Se esses trabalhadores protegidos pelo TPS deixarem o setor, muitas instituições terão enormes dificuldades para manter seus serviços”, afirmou.

Segundo ela, muitos haitianos vivem em Massachusetts há décadas, construíram famílias, carreiras e se tornaram parte indispensável da economia local.

“São trabalhadores comprometidos, responsáveis e que fazem a diferença todos os dias.”

Educação também depende dos imigrantes

O relatório destaca que Massachusetts possui uma das maiores populações de estudantes internacionais dos Estados Unidos.

Além de fortalecerem universidades e centros de pesquisa, esses estudantes movimentam bilhões de dólares por meio do pagamento de mensalidades, aluguel, alimentação, transporte e consumo.

Os pesquisadores lembram ainda que milhares de imigrantes exercem funções fundamentais nas escolas, atuando como motoristas de ônibus escolares, funcionários de refeitórios, auxiliares educacionais e profissionais de apoio a estudantes com deficiência.

Construção civil enfrenta risco de novos atrasos

Outro setor apontado como altamente dependente da imigração é a construção civil.

Em meio à crise habitacional enfrentada por Massachusetts, construtoras relataram aos pesquisadores aumento da instabilidade na contratação de trabalhadores e preocupação com possíveis atrasos em novos empreendimentos.

Segundo o relatório, embora as obras não tenham sido interrompidas pelas ações de fiscalização migratória, empresários afirmam que a redução gradual da mão de obra poderá elevar custos e retardar projetos, principalmente diante dos juros elevados e do aumento no preço dos materiais de construção.

Os autores concluem que, sem um fluxo migratório suficiente para compensar o envelhecimento da população e a saída de trabalhadores, Massachusetts poderá enfrentar dificuldades cada vez maiores para sustentar seu crescimento econômico e atender à demanda por profissionais em setores essenciais.

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