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Revista Brazilian Times # 83
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Ex-enfermeiro de Yale é condenado por substituir medicamentos de pacientes por soro fisiológico

A decisão foi proferida pelo juiz federal Vernon D. Oliver, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Hartford. A sentença ficou bem abaixo dos 51 meses solicitados pelos promotores e do intervalo de 41 a 51 meses previstos nas diretrizes federais.

Da redação

O ex-enfermeiro do Hospital Yale New Haven, Sean Falzarano, foi condenado no dia 29 de julho a 16 meses de prisão por desviar medicamentos controlados e substituí-los por soro fisiológico, prática que pode ter comprometido o tratamento de diversos pacientes. Após cumprir a pena, ele também enfrentará dois anos de liberdade supervisionada e deverá pagar restituição, estimada em cerca de US$ 54 mil.

A decisão foi proferida pelo juiz federal Vernon D. Oliver, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Hartford. A sentença ficou bem abaixo dos 51 meses solicitados pelos promotores e do intervalo de 41 a 51 meses previstos nas diretrizes federais. Ainda assim, foi consideravelmente superior ao pedido da defesa, que sugeria liberdade condicional sem tempo de prisão.

Falzarano, que residia em Southbury, admitiu em dezembro ter cometido adulteração de produto de consumo e adquirido substâncias controladas por meio de fraude. Segundo o promotor Ray Miller, o ex-enfermeiro violou gravemente a confiança depositada na profissão ao furtar medicamentos destinados a pacientes e recolocar frascos adulterados com soro fisiológico no sistema hospitalar.

“É difícil imaginar uma violação mais grave da confiança para um profissional de saúde”, escreveu Miller. “Simplesmente, o Sr. Falzarano é o réu mais culpado por um crime de adulteração processado recentemente neste distrito.”

Além da atuação como enfermeiro, Falzarano alegava ser piloto de avião e relatou sofrer de ansiedade. Ele teria obtido o medicamento Lorazepam — proibido para pilotos pela FAA (Administração Federal de Aviação) — de forma clandestina, para evitar o registro em seu prontuário médico.

A defensora pública Anne E. Silver atribuiu os atos de Falzarano às pressões da pandemia de COVID-19. Com a esposa, também piloto, afastada do trabalho em 2020, Falzarano teria assumido a responsabilidade financeira da família e aceitado uma vaga como enfermeiro em uma ala de COVID, onde presenciou cenas traumáticas e contraiu a doença.

Segundo a defesa, ele começou a levar para casa “medicamentos desperdiçados” — remanescentes de doses parciais administradas a pacientes — inicialmente por acidente, depois de forma deliberada. “O que começou como um erro tornou-se um comportamento intencional”, escreveu Silver, acrescentando que Falzarano aplicava as substâncias em si mesmo com seringas retiradas do hospital.

Relatórios médicos apresentados indicam que ele desenvolveu transtorno por uso de substâncias, agravado por fatores como estresse extremo, infecções de herpes ocular e ansiedade não tratada. A defesa destacou ainda que sua licença de piloto foi suspensa, sua carreira na enfermagem encerrada por vontade própria, e que não há outro familiar que possa assumir os cuidados com os filhos caso ele seja preso.

Contudo, os promotores apontaram inconsistências. Durante uma reunião com investigadores em 2022, Falzarano admitiu o desvio de medicamentos, mas negou ter adulterado os frascos. Alegou estar conduzindo uma “investigação pessoal” sobre o sistema hospitalar, mas não apresentou provas nem relatou o caso à administração.

Embora tenha alegado dificuldades financeiras, uma declaração apresentada mostra que a família de Falzarano possui uma renda anual de aproximadamente US$ 350 mil, reside em uma casa avaliada em mais de US$ 850 mil e possui bens como um trailer Coachman, um Tesla Model Y 2024 e um Mazda CX-5 2022.

O juiz Oliver ordenou que Falzarano não exerça qualquer função na área da saúde ou na aviação durante o período de liberdade supervisionada. Ele deve se apresentar à prisão até o dia 21 de outubro.

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