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Revista Brazilian Times # 84
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Freira detida pelo ICE é lembrada por pacientes como símbolo de dedicação e cuidado

Moradores do Vale do Rio Grande têm prestado homenagens à irmã Letty Ugboaja após a religiosa ter sido detida temporariamente por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), na manhã de domingo, enquanto seguia a pé para participar de uma missa.

Moradores do Vale do Rio Grande têm prestado homenagens à irmã Letty Ugboaja após a religiosa ter sido detida temporariamente por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), na manhã de domingo, enquanto seguia a pé para participar de uma missa.

Segundo informações divulgadas pelo gabinete da deputada republicana Monica De La Cruz, a freira foi liberada ainda no mesmo dia. Ela caminhava em direção à igreja vestindo o hábito religioso quando foi abordada pelos agentes.

O deputado federal Henry Cuellar, democrata do Texas, afirmou que solicitou ao ICE uma explicação oficial sobre a abordagem. De acordo com o parlamentar, as informações recebidas indicam que a religiosa possui documentação migratória válida, embora seu gabinete ainda aguarde a confirmação por meio da análise dos documentos.

Nascida na Nigéria, irmã Letty vive há quase dez anos no Vale do Rio Grande, onde exerce tanto a missão religiosa quanto a profissão de enfermeira registrada. Para pacientes, colegas e familiares, ela é reconhecida pelo compromisso com o próximo e pela disposição em ajudar quem precisa.

Diana Arredondo, cuja família conheceu a freira durante a internação de seu pai no McAllen Medical Center, descreveu a religiosa como alguém que transformava o ambiente do hospital.

“Ela transmitia alegria e carinho por onde passava. Meu pai aguardava ansiosamente a chegada dela todas as manhãs”, contou.

Segundo Arredondo, mesmo diante da escassez de funcionários, Ugboaja frequentemente assumia plantões extras e fazia questão de acompanhar pessoalmente pacientes até exames médicos.

“Ela dizia que não se importava em trabalhar mais porque não tinha familiares por perto. Era comum aceitar turnos duplos ou até triplos para garantir que os pacientes fossem atendidos”, relatou.

A irmã Norma Pimentel afirmou que o episódio causou preocupação entre integrantes da comunidade católica e lamentou que religiosos possam sentir a necessidade de carregar documentos de imigração constantemente para evitar situações semelhantes.

Henry Cuellar também criticou a atuação dos agentes federais.

“Não faz sentido abordar uma freira vestida com hábito religioso, caminhando para a igreja em uma manhã de domingo. Os esforços deveriam estar voltados para criminosos, e não para pessoas dedicadas ao serviço religioso”, declarou.

Para Diana Arredondo, a discussão ultrapassa questões políticas. Ela afirma que a atuação da irmã Letty teve impacto direto na recuperação de seu pai.

“Quando ele estava internado, não conseguia andar. Graças ao incentivo, aos encaminhamentos e ao apoio dela, hoje faz fisioterapia, terapia ocupacional e voltou a caminhar”, afirmou.

Até o fechamento desta reportagem, a Diocese Católica de Brownsville ainda não havia se pronunciado sobre o caso.

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