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Revista Brazilian Times # 84
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“Gold Card” de Donald Trump tem adesão mínima e fica longe das metas iniciais

A proposta do governo de Donald Trump para atrair investidores estrangeiros por meio do chamado “Gold Card” vem apresentando resultados muito abaixo do esperado. Lançado em setembro de 2025, o programa oferece residência acelerada nos Estados Unidos mediante um investimento de US$ 1 milhão, mas, após meses em operação, os números revelam desempenho extremamente limitado.

A proposta do governo de Donald Trump para atrair investidores estrangeiros por meio do chamado “Gold Card” vem apresentando resultados muito abaixo do esperado. Lançado em setembro de 2025, o programa oferece residência acelerada nos Estados Unidos mediante um investimento de US$ 1 milhão, mas, após meses em operação, os números revelam desempenho extremamente limitado.

Durante uma audiência no Congresso, ficou evidente a grande diferença entre a projeção inicial e os resultados concretos. O secretário do Comércio, Howard Lutnick, informou que apenas 338 pessoas manifestaram interesse formal no programa. Desses, 165 chegaram a pagar a taxa inicial de US$ 15 mil, enquanto somente 59 avançaram para a fase de análise mais detalhada.

O dado mais emblemático, porém, expõe o baixo alcance da iniciativa: até o fim de abril, apenas um candidato em todo o mundo concluiu o processo, investiu o valor exigido e obteve aprovação para o visto.

Esse cenário contrasta com as previsões feitas anteriormente por Howard Lutnick, que chegou a projetar a emissão de até 200 mil vistos, com potencial de arrecadação de US$ 1 trilhão — valor apresentado como possível contribuição para reduzir o déficit e a dívida pública dos Estados Unidos. Apesar dos resultados modestos, o secretário afirmou que ainda existem centenas de pedidos em análise, embora declarações passadas do governo tenham mostrado inconsistências, como a alegação de dezenas de milhares de interessados que não se confirmaram nos dados oficiais.

O programa foi criado para substituir o modelo anterior EB-5, aumentando significativamente as exigências financeiras e incorporando forte identidade política. A campanha de divulgação inclui o slogan “Desbloqueie a vida na América” e apresenta um cartão dourado com a imagem de Donald Trump, além de símbolos nacionais como a águia americana e a Estátua da Liberdade.

Além da opção individual, o plano também prevê a participação de empresas, que poderiam investir US$ 2 milhões para garantir residência a funcionários estrangeiros, com cobrança adicional anual. Há ainda a proposta de um modelo premium, o chamado “Cartão Platina”, com custo de US$ 5 milhões e benefícios fiscais ampliados para rendimentos obtidos fora dos EUA.

Especialistas, no entanto, apontam que o programa enfrenta limitações estruturais, principalmente pela escassez de indivíduos com o perfil financeiro exigido. Estima-se que existam cerca de 713 mil pessoas com patrimônio ultra elevado no mundo, sendo que quase metade já vive na América do Norte. Além disso, esse público é disputado por diversos países que oferecem programas semelhantes, muitas vezes com menos associação política, o que reduz a competitividade da iniciativa americana.

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