O governador de Ohio, Mike DeWine, fez um apelo neste domingo para que o presidente Donald Trump reconsidere a decisão de encerrar o Status de Proteção Temporária (TPS) concedido a milhares de haitianos que vivem nos Estados Unidos. O pedido ocorre apesar da recente decisão da Suprema Corte, que autorizou o governo a seguir com a medida.
Publicidade
Publicidade
Governador republicano de Ohio pede que Trump reavalie fim da proteção temporária para haitianos
O governador de Ohio, Mike DeWine, fez um apelo neste domingo para que o presidente Donald Trump reconsidere a decisão de encerrar o Status de Proteção Temporária (TPS) concedido a milhares de haitianos que vivem nos Estados Unidos. O pedido ocorre apesar da recente decisão da Suprema Corte, que autorizou o governo a seguir com a medida.
DeWine destacou que Ohio abriga mais de 10 mil haitianos beneficiados pelo programa e afirmou que, embora a decisão seja legal, ela não representa necessariamente a melhor política pública.
“Hoje não é possível sequer voar para Porto Príncipe”, afirmou o governador durante entrevista à CNN. Segundo ele, a capital haitiana permanece dominada por grupos criminosos que chegam a disparar contra aeronaves que tentam pousar.
“O Haiti continua sendo um lugar extremamente perigoso. Gangues controlam boa parte do país e a violência segue fazendo vítimas inocentes”, declarou. Ele lembrou que, recentemente, crianças morreram durante confrontos entre facções criminosas, reforçando que o país ainda enfrenta uma grave crise de segurança.
Criado para proteger cidadãos de países afetados por guerras, desastres naturais ou outras crises humanitárias, o TPS permite que imigrantes permaneçam temporariamente nos Estados Unidos com autorização para trabalhar. Os haitianos são contemplados pelo programa desde o terremoto de 2010.
Atualmente, cerca de 350 mil haitianos vivem sob essa proteção em território americano, muitos deles na região de Springfield, em Ohio. Segundo o National Immigration Forum, mais de 1,3 milhão de pessoas de 17 países estavam amparadas pelo TPS até março do ano passado.
No ano passado, tribunais federais impediram que o governo encerrasse o TPS para haitianos e sírios. Entretanto, na última semana, a Suprema Corte decidiu que a legislação do programa não permite revisão judicial sobre a decisão do governo de cancelar essa proteção.
Com isso, os ministros rejeitaram os argumentos apresentados por organizações de defesa dos imigrantes, que alegavam falhas no processo conduzido pela então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, além de afirmarem que a decisão teria sido motivada por discriminação racial.
Esses grupos também citaram declarações feitas por Trump, como a afirmação de que haitianos estariam “comendo os cachorros” e comentários depreciativos sobre o Haiti, para sustentar a acusação de preconceito. No entanto, o juiz Samuel Alito, responsável pelo voto majoritário, concluiu que as declarações tinham caráter político e não constituíam prova suficiente de motivação racial.
Mesmo reconhecendo a validade da decisão da Suprema Corte, DeWine defendeu que o governo federal reveja sua posição.
“A Justiça decidiu sobre a legalidade da medida, mas a discussão sobre política pública é outra. Espero que o governo Trump reconsidere essa decisão”, afirmou.
Segundo o governador, muitos haitianos ocupam postos de trabalho importantes que enfrentam escassez de mão de obra nos Estados Unidos.
Já o secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Markwayne Mullin, informou que o governo pretende oferecer cerca de US$ 2.100 para cada haitiano beneficiado pelo TPS que optar por retornar voluntariamente ao Haiti.
Mullin argumentou que, durante o período em que permaneceram no país sob proteção temporária, esses imigrantes tiveram a oportunidade de solicitar residência permanente ou outros tipos de visto.
“Eles têm algumas opções. Podem tentar regularizar sua situação migratória, solicitar outro visto temporário ou retornar ao Haiti. Caso escolham voltar, o governo prestará assistência nesse processo”, afirmou.
Questionado sobre o alerta máximo emitido pelo Departamento de Estado dos EUA, que recomenda que cidadãos americanos não viajem ao Haiti devido à violência extrema, Mullin minimizou as preocupações.
Segundo ele, o aviso é destinado aos americanos que pretendem visitar o país e não deve ser interpretado da mesma forma para haitianos que retornam ao seu local de origem.
“Esses alertas existem para proteger cidadãos americanos. Isso não significa necessariamente que representem o mesmo risco para quem vive no Haiti”, concluiu.
Publicidade




