O governo do presidente Donald Trump adotou uma nova estratégia para expandir a capacidade de detenção de imigrantes na Costa Oeste dos Estados Unidos. Em vez de depender exclusivamente de contratos com empresas privadas, o Departamento de Segurança Interna (DHS) comprou dois grandes centros de detenção na Califórnia por cerca de US$ 1,5 bilhão, em uma medida que busca contornar a resistência do estado à expansão da infraestrutura do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
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Governo Trump compra dois centros de detenção na Califórnia e muda estratégia para ampliar capacidade do ICE
O governo do presidente Donald Trump adotou uma nova estratégia para expandir a capacidade de detenção de imigrantes na Costa Oeste dos Estados Unidos. Em vez de depender exclusivamente de contratos com empresas privadas, o Departamento de Segurança Interna (DHS) comprou dois grandes centros de detenção na Califórnia por cerca de US$ 1,5 bilhão, em uma medida que busca contornar a resistência do estado à expansão da infraestrutura do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
As propriedades adquiridas são o Otay Mesa Detention Center, no Condado de San Diego, e o California City Detention Facility, anteriormente pertencentes à empresa privada CoreCivic. Segundo autoridades federais, a aquisição foi motivada pelas dificuldades enfrentadas pelo governo na Califórnia, onde leis estaduais e ações judiciais vêm tentando limitar a atuação de centros privados de detenção para imigrantes.
De acordo com o porta-voz do ICE, Jason Sweeney, a situação na Califórnia difere de estados como Flórida e Oklahoma, onde o governo federal conta com maior apoio de autoridades estaduais e locais para manter pessoas sob custódia. Segundo ele, políticos favoráveis às chamadas “cidades santuário” continuam promovendo medidas para dificultar financeiramente ou até eliminar centros privados de detenção no estado.
A compra também representa uma mudança de rumo na política migratória do governo Trump. Um plano anterior previa a construção de enormes centros de detenção, instalados em galpões adaptados para abrigar entre 7.500 e 10 mil pessoas. Entretanto, o projeto enfrentou uma série de obstáculos, incluindo ações judiciais, dificuldades para contratar funcionários e falta de profissionais da área de saúde para atuar nas unidades, levando o governo a buscar alternativas mais rápidas para ampliar sua capacidade operacional.
Especialistas afirmam que, ao se tornar proprietário das instalações, o governo federal reduz a influência das leis estaduais sobre os centros de detenção. A expectativa é que as unidades passem a ter maior proteção contra restrições relacionadas ao zoneamento urbano, exigências ambientais e determinadas inspeções conduzidas por autoridades locais.
Os valores pagos chamaram atenção. Segundo registros oficiais, o DHS desembolsou US$ 739,2 milhões pelo centro de Otay Mesa, cujo valor de avaliação era de aproximadamente US$ 164,9 milhões. Já a unidade de California City foi adquirida por US$ 732,6 milhões, embora sua avaliação fiscal fosse de cerca de US$ 171,5 milhões.
A operação também gerou críticas de autoridades da Califórnia. O gabinete do governador Gavin Newsom classificou a política de deportações como um uso “imprudente e cruel” do dinheiro público, enquanto representantes locais afirmaram que a compra beneficia empresas privadas que administram centros de detenção, sem aumentar a transparência sobre as condições enfrentadas pelos imigrantes mantidos sob custódia.
Analistas acreditam que a aquisição pode ser apenas o início de uma estratégia mais ampla. Com bilhões de dólares já destinados pelo Congresso para ampliar a infraestrutura migratória, especialistas avaliam que o governo poderá comprar outras instalações semelhantes em diferentes estados nos próximos meses, fortalecendo ainda mais a rede federal de detenção de imigrantes.
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