Uma coalizão de empresários formada majoritariamente por imigrantes anunciou que pretende entrar na Justiça contra a cidade de Nova York para tentar impedir o plano do prefeito Zohran Mamdani de criar cinco supermercados públicos financiados com recursos dos contribuintes. O grupo afirma que a iniciativa criará concorrência desleal com pequenos mercados e bodegas que já enfrentam dificuldades financeiras.
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Grupo de empresários imigrantes prepara ação contra Nova York para barrar supermercados públicos de US$ 70 milhões
Uma coalizão de empresários formada majoritariamente por imigrantes anunciou que pretende entrar na Justiça contra a cidade de Nova York para tentar impedir o plano do prefeito Zohran Mamdani de criar cinco supermercados públicos financiados com recursos dos contribuintes. O grupo afirma que a iniciativa criará concorrência desleal com pequenos mercados e bodegas que já enfrentam dificuldades financeiras.
Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, o conselho da Multicultural Business Coalition (MBC) aprovou a abertura de uma ação judicial nas próximas semanas para tentar bloquear o projeto, estimado em US$ 70 milhões.
O presidente da entidade, Frank Garcia, afirmou que a administração municipal não tem dialogado com os comerciantes e disse que a coalizão está determinada a contestar judicialmente a proposta.
A MBC reúne cerca de 50 câmaras de comércio que representam empresários de origem asiática, africana, caribenha, hispânica, do Oriente Médio e da comunidade judaica em Nova York. A organização foi criada neste ano justamente para coordenar a oposição ao projeto dos supermercados públicos.
Projeto prevê alimentos até 30% mais baratos
Nesta semana, o prefeito Zohran Mamdani apresentou novos detalhes da iniciativa. Segundo a prefeitura, os estabelecimentos venderão produtos essenciais — como frutas, verduras, carnes, leite, queijo e pão — com preços aproximadamente 30% inferiores aos praticados no mercado tradicional.
A administração municipal argumenta que o objetivo é combater o aumento do custo de vida e ampliar o acesso da população de baixa renda a alimentos saudáveis.
O primeiro supermercado deverá ser inaugurado no próximo ano, no Bronx, e outros serão implantados posteriormente em diferentes regiões da cidade.
Comerciantes temem fechamento de pequenos mercados
Os empresários afirmam que a diferença de preços poderá inviabilizar centenas de pequenos estabelecimentos familiares.
Outro ponto levantado é que os supermercados públicos funcionarão em imóveis pertencentes ao município, sem pagamento de aluguel, reduzindo significativamente seus custos operacionais.
Para comerciantes locais, competir com uma estrutura subsidiada pelo governo será praticamente impossível.
Em East Harlem, por exemplo, representantes do setor afirmam que existem diversas bodegas localizadas a poucos quarteirões do local escolhido para receber uma das novas unidades.
Segundo Radhames Rodriguez, presidente da United Bodegas of America, produtos vendidos com preços cerca de 30% menores fariam muitos consumidores deixarem de frequentar os mercados tradicionais.
Coalizão pretende arrecadar US$ 1 milhão
Além da ação judicial, a Multicultural Business Coalition pretende arrecadar US$ 1 milhão para custear o processo e promover campanhas de conscientização sobre os desafios enfrentados pelos pequenos comerciantes.
Entre as dificuldades citadas pela entidade estão:
- aumento dos aluguéis;
- crescimento da carga tributária;
- dificuldade de acesso a crédito;
- furtos frequentes em estabelecimentos comerciais;
- aumento dos custos operacionais.
Garcia afirmou ainda que diferentes organizações e apoiadores ofereceram auxílio financeiro e jurídico para combater iniciativas da atual administração municipal, embora não tenha revelado seus nomes.
Prefeitura nega intenção de prejudicar comerciantes
A administração de Zohran Mamdani sustenta que os supermercados públicos não foram concebidos para substituir os pequenos mercados.
Segundo o prefeito, as unidades municipais não venderão alimentos preparados, bebidas alcoólicas, cigarros nem bilhetes de loteria — produtos tradicionalmente responsáveis por parte significativa do faturamento das bodegas.
Durante entrevista coletiva realizada nesta semana, Mamdani declarou que o objetivo é ampliar o acesso da população a alimentos básicos e não comprometer a sobrevivência dos estabelecimentos privados.
Mesmo assim, representantes do setor afirmam que a venda de itens essenciais com preços subsidiados poderá provocar forte redução nas receitas dos mercados independentes, aumentando o risco de fechamento de pequenos negócios em bairros de baixa renda.
Caso a ação seja protocolada, caberá à Justiça decidir se o programa municipal configura uma política pública legítima de combate ao alto custo dos alimentos ou se representa concorrência desleal contra empresas privadas.
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