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Revista Brazilian Times # 84
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ICE identifica mais de 10 mil estudantes estrangeiros ligados a empresas suspeitas

O governo dos Estados Unidos iniciou uma nova ofensiva contra fraudes envolvendo estudantes internacionais e acendeu um sinal de alerta para milhares de estrangeiros que atualmente vivem no país utilizando benefícios migratórios vinculados ao sistema educacional americano. O alvo da vez é o programa STEM OPT, modalidade que permite que estudantes estrangeiros portadores do visto F-1 permaneçam legalmente nos Estados Unidos trabalhando por até três anos após a conclusão do curso em áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

O governo dos Estados Unidos iniciou uma nova ofensiva contra fraudes envolvendo estudantes internacionais e acendeu um sinal de alerta para milhares de estrangeiros que atualmente vivem no país utilizando benefícios migratórios vinculados ao sistema educacional americano. O alvo da vez é o programa STEM OPT, modalidade que permite que estudantes estrangeiros portadores do visto F-1 permaneçam legalmente nos Estados Unidos trabalhando por até três anos após a conclusão do curso em áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

De acordo com informações divulgadas pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), agentes federais identificaram mais de 10 mil estudantes estrangeiros ligados a empregadores classificados como altamente suspeitos, levantando fortes indícios de um esquema de fraude migratória em larga escala. A investigação revelou que diversas empresas utilizadas por estudantes para manter o status legal no país simplesmente não possuíam atividade real, operavam apenas no papel ou utilizavam endereços fantasmas para simular vínculos empregatícios inexistentes.

Segundo as autoridades americanas, agentes encontraram escritórios vazios, prédios comerciais abandonados, empresas registradas sem funcionários e organizações que, na prática, nunca exerceram qualquer atividade operacional. Em vários casos, dezenas ou até centenas de estudantes apareciam vinculados ao mesmo endereço comercial, levantando suspeitas imediatas de fraude estruturada para manter estrangeiros legalmente em território americano sem emprego legítimo.

O programa Optional Practical Training (OPT) permite que estudantes internacionais trabalhem nos Estados Unidos após a graduação em uma função relacionada à área de estudo. Já a modalidade STEM OPT oferece uma extensão adicional de 24 meses para profissionais formados em áreas estratégicas, permitindo que o período total de permanência autorizada chegue a 36 meses. O benefício, criado para fortalecer a formação prática e atrair talentos internacionais, passou a ser usado por grupos organizados como uma alternativa para prolongar a permanência no país enquanto aguardam outras possibilidades migratórias, como o visto H-1B ou processos de residência permanente.

O diretor interino do ICE, Todd Lyons, afirmou que a investigação inicial analisou os maiores empregadores cadastrados dentro do programa e encontrou irregularidades alarmantes. Segundo ele, o governo considera que os casos descobertos representam apenas uma pequena parte de um problema muito maior. A declaração reforça que novas operações devem acontecer nos próximos meses em diferentes estados americanos.

A preocupação das autoridades gira em torno de empresas que oferecem contratos de trabalho fraudulentos em troca de pagamento, permitindo que estudantes mantenham status legal mesmo sem exercer qualquer atividade profissional real. Em muitos casos investigados, consultorias ligadas ao setor de tecnologia aparecem como intermediárias, registrando estrangeiros em vagas fictícias e encaminhando informações falsas ao sistema federal que monitora estudantes internacionais.

Universidades americanas que recebem alunos estrangeiros também começaram a emitir alertas internos diante do aumento da fiscalização. Escritórios responsáveis por estudantes internacionais têm orientado alunos a verificar cuidadosamente a legitimidade das empresas contratantes, principalmente quando se trata de consultorias terceirizadas, empresas recém-criadas ou vagas com informações inconsistentes sobre supervisão, local de trabalho e descrição de funções.

As consequências para quem for identificado participando do esquema podem ser severas. O governo americano confirmou que estudantes envolvidos poderão perder imediatamente o status migratório F-1, ter o STEM OPT cancelado, enfrentar processos criminais por fraude federal, ser colocados em procedimentos de deportação e, dependendo da gravidade do caso, receber proibição permanente de entrada nos Estados Unidos.

Empresas envolvidas também podem ser alvo de processos federais conduzidos pelo Department of Homeland Security (DHS) e pelo Departamento de Justiça americano. Além de acusações criminais, os responsáveis podem responder por fraude documental, conspiração e fornecimento de informações falsas ao governo federal.

A medida gera preocupação especialmente entre brasileiros que estudam nos Estados Unidos e dependem do programa para ganhar experiência profissional ou permanecer legalmente no país enquanto buscam outras alternativas migratórias. Especialistas recomendam atenção redobrada na escolha do empregador, manutenção de todos os documentos atualizados e confirmação de que a empresa possui operação real e atividade compatível com a função declarada ao governo.

A mensagem enviada pelas autoridades americanas é direta: os Estados Unidos estão endurecendo o combate contra qualquer tentativa de usar brechas do sistema migratório para permanecer no país de forma irregular. Para o ICE, a era da tolerância com atalhos migratórios parece estar chegando ao fim.

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