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Revista Brazilian Times # 83
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Investigação aponta aumento recorde de suicídios em centros de detenção do ICE sob governo Trump

Uma investigação revelou um aumento considerado sem precedentes no número de suicídios entre imigrantes detidos pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025. Segundo o levantamento, ao menos 10 detentos tiraram a própria vida no período — o maior número já registrado na história da agência federal americana.

Uma investigação revelou um aumento considerado sem precedentes no número de suicídios entre imigrantes detidos pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025. Segundo o levantamento, ao menos 10 detentos tiraram a própria vida no período — o maior número já registrado na história da agência federal americana.

A apuração, publicada pela Associated Press, analisou documentos internos do ICE, relatórios médicos, autópsias, laudos policiais, chamadas de emergência, inspeções federais e registros de centros de detenção espalhados pelos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela reportagem classificaram a situação como “alarmante” e afirmaram que algo “profundamente errado” estaria acontecendo dentro do sistema de detenção imigratória americano.

De acordo com os dados analisados, sete suicídios ocorreram apenas desde outubro de 2025, número que sozinho já supera qualquer outro ano fiscal da história do ICE. Historicamente, a agência costumava registrar um ou nenhum suicídio anual entre detentos imigratórios.

A investigação aponta que os suicídios representam quase 20% das 51 mortes registradas sob custódia do ICE desde janeiro de 2025. O crescimento ocorre em meio à ampliação das operações migratórias e ao aumento acelerado da população detida após o endurecimento das políticas de deportação da administração Trump.

Segundo a Associated Press, a maioria das vítimas era formada por homens hispânicos jovens, com média de idade de 32 anos. Nove dos dez imigrantes mortos vieram de países latino-americanos, enquanto um era cidadão chinês. O levantamento também destaca que sete dos dez detidos não possuíam histórico de crimes violentos nos Estados Unidos.

Especialistas em saúde mental afirmam que diversos centros de detenção falharam em monitorar sinais de sofrimento psicológico, atrasaram atendimentos psiquiátricos e até permitiram acesso a objetos e materiais que poderiam ser utilizados em tentativas de automutilação.

Entre os fatores apontados como agravantes estão: isolamento prolongado,  medo constante da deportação, superlotação, barreiras linguísticas, ausência de assistência jurídica, dificuldade de contato com familiares e condições consideradas precárias em diversas unidades.

Um dos casos destacados pela investigação envolve Brayan Rayo Garzon, detido em Missouri. Segundo a AP, ele apresentou sinais claros de sofrimento emocional e chegou a pedir ajuda antes de morrer por suicídio enquanto estava em isolamento. A reportagem afirma que falhas de triagem e atrasos no atendimento psicológico teriam contribuído para a tragédia.

Outro levantamento da imprensa americana mostrou que 2025 já havia se tornado o ano mais letal em mais de duas décadas dentro do sistema de detenção migratória do ICE, com ao menos 31 mortes registradas, incluindo casos ligados a suspeitas de negligência médica, problemas cardíacos, falhas de atendimento e suicídios.

Além dos suicídios, investigações anteriores revelaram centenas de chamadas de emergência em centros de detenção, incluindo relatos de tentativas de suicídio, agressões, crises psicológicas, falta de medicamentos e episódios de desespero entre detentos.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou, em nota, que mortes por suicídio sob custódia do ICE continuam sendo “extremamente raras”. O governo também declarou que os centros seguem protocolos de prevenção, realizam treinamentos anuais sobre risco de suicídio e oferecem acompanhamento médico e psicológico aos detentos.

Apesar disso, organizações de direitos humanos, especialistas em saúde pública e advogados de imigração vêm aumentando a pressão por investigações independentes sobre as condições dentro dos centros de detenção.

Para críticos do sistema, o crescimento das mortes reflete o impacto humano do endurecimento das políticas migratórias americanas e da rápida expansão da população sob custódia do ICE nos últimos meses.

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