A medida limita o financiamento anual a US$ 20.500 para cursos que o governo federal não classifica como “profissionais”, atingindo diretamente formações como enfermagem, terapia física, assistência médica, serviço social e educação.
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Massachusetts critica limite federal a empréstimos estudantis e alerta para impacto em áreas essenciais
Da redação
A governadora de Maura Healey criticou duramente uma nova regra anunciada pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos durante a administração do presidente Donald Trump, que impõe restrições ao acesso a empréstimos federais de baixo custo para estudantes de pós-graduação em áreas consideradas essenciais, como saúde, educação e assistência social.
A medida limita o financiamento anual a US$ 20.500 para cursos que o governo federal não classifica como “profissionais”, atingindo diretamente formações como enfermagem, terapia física, assistência médica, serviço social e educação. Para autoridades estaduais, a decisão pode agravar a escassez de profissionais em setores críticos e dificultar o acesso de estudantes, especialmente os de baixa renda, ao ensino superior.
Segundo Healey, a regra chega em um momento de pressão econômica para famílias americanas e tende a empurrar estudantes para empréstimos privados, que geralmente possuem taxas mais altas e condições menos favoráveis. “Massachusetts precisa de mais enfermeiros, assistentes sociais e educadores — não menos. Essa política vai na direção oposta, agravando a falta de profissionais e dificultando o acesso da população a serviços essenciais”, afirmou a governadora.
O secretário de Educação do estado, Steve Zrike, também manifestou preocupação com os efeitos da medida. Ele destacou que a nova política deve impactar de forma desproporcional estudantes de baixa renda, que poderão ser forçados a recorrer a crédito privado mais caro para concluir seus estudos. “Temos uma crise nacional de endividamento estudantil, mas aumentar os custos para quem já enfrenta dificuldades não é a solução”, disse.
De acordo com estimativas do governo estadual, cerca de 13 mil estudantes de pós-graduação em Massachusetts seriam afetados anualmente pela nova regra. Desses, aproximadamente 4 mil não teriam acesso a empréstimos privados devido a restrições de renda ou crédito, o que, na prática, pode impedir a continuidade de suas formações acadêmicas.
A norma também prevê mudanças estruturais no sistema de financiamento estudantil, incluindo o fim do programa Grad PLUS e a limitação do Parent PLUS a US$ 20 mil por ano. Além disso, os atuais planos federais de pagamento seriam substituídos por dois novos modelos: um plano baseado na renda e outro com parcelas fixas escalonadas.
Em resposta, o governo estadual afirma estar ampliando iniciativas locais para apoiar profissionais dessas áreas. Entre as ações, estão programas de auxílio para pagamento de empréstimos, como um investimento de US$ 15 milhões voltado a trabalhadores da educação infantil e iniciativas de apoio a profissionais de saúde e serviços humanos.
As autoridades também orientam estudantes e mutuários a verificarem a situação de seus empréstimos federais e ficarem atentos a possíveis golpes relacionados a programas de alívio de dívidas. Em caso de dificuldades ou denúncias, o estado recomenda o contato com a unidade de assistência a empréstimos estudantis da Procuradoria-Geral.
A medida federal reacende o debate sobre o acesso ao ensino superior nos Estados Unidos e seus impactos diretos na formação de profissionais em áreas consideradas estratégicas para o funcionamento da sociedade.
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