Uma mensagem comemorativa enviada pela Administração da Seguridade Social (SSA, na sigla em inglês) no feriado de 4 de Julho causou espanto e indignação entre aposentados, especialistas e defensores da neutralidade institucional nos Estados Unidos.
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Mensagem da Previdência Social exaltando projeto de corte de impostos gera reação negativa
Da redação
Uma mensagem comemorativa enviada pela Administração da Seguridade Social (SSA, na sigla em inglês) no feriado de 4 de Julho causou espanto e indignação entre aposentados, especialistas e defensores da neutralidade institucional nos Estados Unidos. O e-mail, que celebrava a aprovação do pacote legislativo conhecido como “One Big, Beautiful Bill”, foi visto como um inusitado — e controverso — movimento político por parte de uma agência historicamente não partidária.
O projeto de lei, sancionado pelo presidente Donald Trump, reduz impostos para idosos, mas também impõe cortes em programas essenciais como o Medicaid e o SNAP (benefícios alimentares). Na mensagem da SSA, o texto afirmava que “quase 90% dos beneficiários do Social Security não pagarão mais imposto de renda federal sobre seus benefícios”, descrevendo a medida como “um passo histórico para os idosos americanos”.
Para Larry White, professor aposentado de Psicologia da Beloit College, em Wisconsin, o conteúdo foi alarmante. “A mensagem parecia valorizar agradar o presidente mais do que informar corretamente os cidadãos”, afirmou ao Wisconsin Examiner. White, que recebe e-mails da SSA desde sua aposentadoria em 2019, disse nunca ter visto algo tão politizado vindo da agência.
A repercussão negativa foi imediata. Especialistas, como J. Michael Collins, da Universidade de Wisconsin, apontaram erros e omissões na comunicação oficial. Segundo ele, a mudança não é específica para beneficiários do Social Security, mas sim uma dedução fiscal geral para todos os cidadãos com 65 anos ou mais que ganham até US$ 75 mil (solteiros) ou US$ 150 mil (casais). “Não há nova isenção de impostos sobre a renda do Social Security”, explicou Collins.
Além disso, o benefício fiscal é temporário e expira em 2028, o que desmente a afirmação de que os beneficiários “não pagarão mais” imposto de renda sobre seus benefícios.
A SSA acabou corrigindo o texto no dia 7 de julho, reformulando a frase polêmica para deixar claro que a isenção vem da nova dedução para maiores de 65 anos — e não de uma mudança direta nos impostos sobre os benefícios da Previdência Social. A correção foi inicialmente divulgada pelo repórter Arthur Delaney, do HuffPost.
Para Nancy Altman, presidente da organização Social Security Works, a mensagem da agência é um grave desvio de conduta institucional. “É um uso propagandístico de uma agência que deveria ser acima da política”, disse. Altman lembrou um episódio de 1972, quando o então presidente Richard Nixon tentou incluir um panfleto com sua assinatura nos cheques do Social Security. A ideia foi barrada pelo comissário da época, que ameaçou se demitir.
Em meio ao desconforto generalizado, muitos questionaram a independência do atual comissário da SSA, Frank Bisignano, nomeado por Trump. Larry White chegou a escrever diretamente para Bisignano no dia 4 de julho, expressando sua indignação: “Você se tornou um porta-voz desavergonhado de Trump. Que vergonha!”
White teme que esse episódio abale a credibilidade da agência: “Leva-se anos para construir uma boa reputação, mas ela pode ser destruída em uma única noite”.
A controvérsia ressalta um ponto crucial sobre a atuação das agências federais nos EUA: a necessidade de manter a confiança pública e a integridade institucional, independentemente de quem ocupe a Casa Branca. Para muitos, o e-mail do 4 de Julho foi mais do que um erro de comunicação — foi um sinal preocupante da crescente politização de órgãos públicos.
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