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Revista Brazilian Times # 83
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Pai de Minnesota que virou símbolo de protestos anti-ICE é preso após agredir jornalista

Um caso que ilustra como a radicalização pode acontecer rapidamente.

Um caso que ilustra como a radicalização pode acontecer rapidamente.

Meses antes de ser detido por agredir uma repórter do Turning Point USA durante um protesto contra o ICE, Chris Ostroushko levava uma vida considerada comum: trabalhava na construção civil e passava o tempo livre assistindo futebol em casa.

Aos mais de 50 anos, ele nunca havia participado de manifestações — até janeiro, quando confrontos entre agentes do ICE e manifestantes marcaram um protesto com morte em North Minneapolis.

Foi nesse cenário que Ostroushko deu uma entrevista carregada de emoção, que viralizou e o transformou em um rosto conhecido dentro de uma nova onda de ativistas mais radicais. Essa visibilidade, no entanto, também o colocaria no centro de uma polêmica maior.

“Isso é loucura… o que está acontecendo? Isso é insano”, disse ele na ocasião, em entrevista registrada em vídeo.
“Somos todos seres humanos. Não importa quem você é, de onde veio ou a sua cor — isso não deveria acontecer”, afirmou, exaltado.

Ao ser questionado sobre sua experiência anterior em protestos, foi direto:
“Nunca. Nunca participei de nada assim na vida.”

Ele também criticou o que chamou de clima de medo:
“As pessoas estão sendo assustadas… dizem que é sobre imigrantes, mas na verdade é sobre qualquer um.”

O vídeo ganhou grande repercussão nas redes sociais, acumulando centenas de milhares de visualizações e transformando Ostroushko em um exemplo de ativista improvável.

A filha dele, Paige, de 20 anos, comentou a repercussão em entrevista ao Star Tribune:
“Meu pai sempre foi um cara comum do subúrbio. Nunca imaginaríamos que algo assim aconteceria.”

Segundo ela, a exposição acabou incentivando outras pessoas a se envolverem:
“Quando veem alguém como ele participando, outros pensam que também podem fazer o mesmo.”

O próprio Ostroushko afirmou que poderia ter continuado levando uma vida tranquila, mas decidiu agir após incentivo da esposa, que o levou a um memorial em homenagem à ativista Renee Good.

“Quanto mais eu via o que estava acontecendo, mais percebia que era algo importante. As pessoas precisam se posicionar”, disse.

Nas redes, ele passou a ser chamado de “pai da América” e até recebeu sugestões para entrar na política.
“Tem gente que quer me pagar uma cerveja, outros dizem que sou a voz dessa geração”, afirmou em fevereiro.

Mas a fama ganhou outro rumo poucos meses depois.

Durante um protesto anti-ICE em 11 de abril, em frente ao prédio Whipple, imagens registraram Ostroushko empurrando a jornalista Savanah Hernandez, derrubando-a no chão enquanto gritava para que ela não tocasse em sua filha.

O episódio aconteceu após outras agressões contra a repórter, incluindo um soco no rosto e uma queda provocada por outra manifestante.

Ostroushko e a filha foram detidos por envolvimento no caso. Segundo a jornalista, ela sofreu concussão, lesões no joelho, dores no pescoço e impacto emocional.

As autoridades informaram que o caso segue em análise para possível formalização de acusações.

Após o incidente, Ostroushko afirmou que sua família passou a enfrentar críticas constantes — em contraste com o apoio que recebia anteriormente.

“Tudo isso tem sido difícil e até me faz questionar viver neste país, com tudo o que está acontecendo”, declarou em entrevista recente.

Ele não respondeu a novos pedidos de comentário.

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