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Revista Brazilian Times # 83
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Professora Brasileira Com Doença Degenerativa Recorre À Morte Assistida Na Suíça

Na tarde de quarta-feira, 15 de abril de 2026, às 14h, a professora aposentada Célia Maria Cassiano, de 67 anos, natural de Campinas (SP), entrou em um quarto simples de uma clínica em Zurique, na Suíça, para cumprir uma decisão tomada de forma consciente e planejada ao longo de meses. Em silêncio, deitou-se na cama, acompanhada apenas por duas enfermeiras que observavam o procedimento.

Na tarde de quarta-feira, 15 de abril de 2026, às 14h, a professora aposentada Célia Maria Cassiano, de 67 anos, natural de Campinas (SP), entrou em um quarto simples de uma clínica em Zurique, na Suíça, para cumprir uma decisão tomada de forma consciente e planejada ao longo de meses. Em silêncio, deitou-se na cama, acompanhada apenas por duas enfermeiras que observavam o procedimento.

Mesmo com as limitações físicas impostas pela doença, Célia conseguiu erguer um copo com a substância prescrita e ingeriu o conteúdo sem hesitação. Minutos depois, seu corpo relaxou, os olhos se fecharam e, às 14h08, ela morreu de forma tranquila, mantendo a lucidez até o último instante.

Seguindo os protocolos locais, autoridades suíças foram acionadas para verificar a documentação, confirmar o consentimento e atestar a legalidade do procedimento. Após a perícia, o corpo foi encaminhado para cremação.

A decisão de Célia teve origem quase dois anos antes, quando recebeu o diagnóstico de Atrofia Muscular Progressiva (AMP), uma doença rara e incurável que compromete gradualmente os movimentos do corpo, mantendo a consciência preservada. Com o avanço da condição, tarefas simples tornaram-se impossíveis, levando a uma perda progressiva de autonomia.

Ao longo do processo, ela compartilhou sua realidade nas redes sociais, relatando o impacto da doença e o sofrimento de ver o corpo perder suas funções enquanto a mente permanecia ativa. Em uma de suas últimas mensagens, afirmou estar no limite de sua dignidade, mas também em paz com a escolha que havia feito.

Durante sete meses, organizou todos os detalhes da viagem. Nos dias que antecederam o procedimento, aproveitou o que ainda podia fazer, visitando locais turísticos e desfrutando momentos simples antes de encerrar sua jornada.

Casos como o de Célia não são isolados. A Suíça se tornou destino para pessoas com doenças graves e irreversíveis que buscam o direito à morte assistida — prática proibida no Brasil. Entre exemplos recentes está o do escritor brasileiro Antonio Cícero, que também optou pelo procedimento após diagnóstico de Alzheimer avançado.

A situação reacende um debate delicado e profundo. De um lado, há quem defenda o direito à autonomia e à dignidade, especialmente em casos de sofrimento extremo e sem possibilidade de cura. De outro, existem preocupações éticas, religiosas e sociais, incluindo o risco de pressões indiretas e o valor intrínseco da vida humana.

A história de Célia Maria Cassiano expõe não apenas uma decisão individual, mas também uma discussão que tende a ganhar cada vez mais espaço no Brasil.

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