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Última Edição #4386

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 85
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Coluna Jhenny Educard: Crescer entre culturas: o que muda quando a criança vive entre dois mundos?

Em casa, fala português. Na escola, inglês. No almoço de domingo, música brasileira. Na festa da escola, Halloween. No aniversário, brigadeiros, coxinha, bolo decorado e muita festividade. No recreio, pizza, snack e hambúrguer. Na cabeça, uma pergunta que talvez ainda não tenha palavras: quem sou eu, afinal?

Em casa, fala português. Na escola, inglês. No almoço de domingo, música brasileira. Na festa da escola, Halloween. No aniversário, brigadeiros, coxinha, bolo decorado e muita festividade. No recreio, pizza, snack e hambúrguer. Na cabeça, uma pergunta que talvez ainda não tenha palavras: quem sou eu, afinal?

Crescer entre duas culturas é uma experiência rica mas também, às vezes, silenciosamente pesada.

A criança que vive entre o Brasil e os Estados Unidos não pertence completamente a nenhum dos dois lugares, e precisa construir, com o tempo, um sentido de identidade que não dependa de escolher um lado. Esse processo não é automático. E sem o acompanhamento consciente de um adulto, pode virar uma fonte de confusão, vergonha ou isolamento.

Tem a criança que na escola esconde que é brasileira porque quer se encaixar. Que pede para a mãe não falar português na frente dos amigos. Que um dia chega em casa e diz que não quer mais ser chamada pelo nome brasileiro. Que ri quando alguém faz piada do sotaque, para não chorar. Cada um desses momentos não é frescura ou manha. É um sinal de que o pertencimento está doendo.

E tem o adulto do outro lado — que também está se adaptando, sobrevivendo sem rede de apoio, carregando saudade, tentando manter raízes enquanto aprende a viver num chão novo. Que quer transmitir cultura, língua e valores, mas nem sempre sabe como fazer isso sem gerar pressão. Que às vezes força o português com tanto rigor que a criança começa a associar a língua à obrigação, não à identidade. E em outras, não quer ensinar o português por medo de que a criança sofra discriminação — ou até mesmo racismo. Tudo isso com o intuito genuíno de proteção que nós, pais, carregamos.

O que a criança mais precisa nesses momentos não é uma resposta definitiva sobre onde ela pertence. É de um adulto que consiga dizer, com presença e sem ansiedade:

Os dois mundos que estão em você têm valor.
Você não precisa escolher.
Você pode ser tudo isso ao mesmo tempo.

Identidade não é um lugar. É uma narrativa. E os pais são os primeiros narradores dessa história.

Quando a criança aprende que pode ser brasileira e americana, que pode misturar, questionar e pertencer a si mesma antes de pertencer a qualquer cultura, ela desenvolve algo que vai muito além do bilinguismo: desenvolve raízes internas. E raízes internas são o que sustenta uma criança quando o ambiente ao redor muda, seja pela mudança de país, de escola ou de fase da vida.

Cultura não se impõe. Se oferece com afeto, com história, com presença. E quando é oferecida assim, a criança não precisa escolher entre dois mundos. Ela aprende a carregar os dois e a se sentir inteira em qualquer um deles.

Proteger uma criança começa na forma como você educa.

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