A birra no meio do supermercado, o choro sem motivo aparente na hora do jantar, o silêncio fechado depois da escola, quando você pergunta como foi o dia e recebe um “bem” que claramente não é bem.
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Coluna Jheny | Educar é Proteger: seu filho não está sendo difícil, ele só está te comunicando
A birra no meio do supermercado, o choro sem motivo aparente na hora do jantar, o silêncio fechado depois da escola, quando você pergunta como foi o dia e recebe um “bem” que claramente não é bem.
A primeira leitura que fazemos, quase sempre, é sobre o comportamento: “Ele está sendo difícil.”; “Ela está querendo chamar atenção.” ; “Está manipulando.”
Mas e se essa leitura estiver incompleta?
O comportamento de uma criança é sempre uma linguagem. Às vezes barulhenta, às vezes quase invisível, mas sempre dizendo algo que ela ainda não tem palavras, nem maturidade neurológica, para expressar de outra forma.
O cérebro infantil está em pleno desenvolvimento. A região responsável pelo controle emocional, pelo raciocínio e pela comunicação (o córtex pré-frontal) inicia seu desenvolvimento entre 3 e 4 anos e só termina de se formar por volta dos 30 anos. Isso significa que quando uma criança “perde o controle”, ela não está escolhendo ser difícil. Ela está sendo inundada por uma emoção que é maior do que sua capacidade de gerenciar naquele momento.
A birra não é manipulação. É sobrecarga.
O choro sem motivo aparente quase sempre tem um motivo que ainda não foi nomeado: cansaço, insegurança, algo que aconteceu e ficou guardado sem ter para onde ir.
O silêncio, talvez o mais difícil de todos, costuma aparecer quando a criança já aprendeu, de alguma forma, que expressar não é seguro. Que o que ela sente vai incomodar, ser minimizado ou ignorado. Isso não é culpa. É um sinal.
Quando mudamos a pergunta de “por que meu filho está se comportando assim?” para “o que meu filho está tentando me dizer?”, tudo muda, mas não a situação imediata. A birra ainda vai acontecer, o choro ainda vai vir, mas a forma como você recebe esse momento muda. E é exatamente aí que começa a regulação emocional: não quando a criança aprende a se conter, mas quando ela se sente vista e acompanhada por um adulto que não se perdeu junto com ela.
Crianças não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes o suficiente para perguntar o que está por baixo, e segurar o que aparecer.
Ouvir o comportamento é uma habilidade. E como toda habilidade, se aprende.
Proteger uma criança começa na forma como você educa.
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