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Revista Brazilian Times # 84
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Estudo aponta que repressão imigratória reduz força de trabalho nos EUA sem gerar mais empregos para americanos

Uma nova pesquisa acadêmica está lançando dúvidas sobre os efeitos econômicos da intensificação das políticas de imigração nos Estados Unidos. Segundo o estudo, o aumento das operações de fiscalização e deportação tem reduzido a participação de imigrantes no mercado de trabalho, sem que isso resulte em mais vagas para trabalhadores nascidos no país.

Uma nova pesquisa acadêmica está lançando dúvidas sobre os efeitos econômicos da intensificação das políticas de imigração nos Estados Unidos. Segundo o estudo, o aumento das operações de fiscalização e deportação tem reduzido a participação de imigrantes no mercado de trabalho, sem que isso resulte em mais vagas para trabalhadores nascidos no país.

O levantamento indica que o impacto é especialmente visível em setores como construção civil, agricultura e hotelaria — áreas que dependem fortemente da mão de obra imigrante.

Especialistas afirmam que o endurecimento das ações do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) está provocando um chamado “efeito inibidor” (“chilling effect”), no qual o medo se espalha muito além das pessoas efetivamente detidas.

Segundo o pesquisador Ryan Allen, da University of Minnesota, muitos imigrantes — inclusive aqueles com status legal — estão evitando sair de casa, trabalhar e consumir por receio de serem abordados pelas autoridades.

“Isso se manifesta na economia local como uma redução da atividade pública, incluindo pessoas que deixam de comparecer ao trabalho e também evitam fazer compras”, explicou o especialista.

Impacto no Arizona

No Arizona, ativistas e beneficiários do programa DACA relatam que o clima de medo e os atrasos na renovação das autorizações de trabalho estão colocando famílias e empresas em situação de incerteza.

Darian Benitez, formado pela Harvard University e engenheiro de software, destacou que muitos imigrantes não são apenas empregados, mas também empregadores e contribuintes ativos da economia americana.

“Muitos de nós somos profissionais e empresários que contribuem significativamente para a economia”, afirmou.

Atrasos em permissões de trabalho

O deputado federal Greg Stanton, democrata do Arizona, alertou que atrasos de vários meses na renovação das permissões de trabalho podem levar milhares de imigrantes a perderem seus empregos sem qualquer culpa.

“Isso não é apenas um inconveniente burocrático. Significa que pessoas podem perder a autorização para trabalhar e, consequentemente, seus empregos”, disse o parlamentar.

Caso comoveu o país

A reportagem também relembra o caso do jovem Kevin González, de 18 anos, cidadão americano com câncer terminal, que morreu um dia após reencontrar os pais no México.

O casal mexicano havia sido detido ao tentar entrar nos Estados Unidos para se despedir do filho. Após forte mobilização, um juiz autorizou a deportação acelerada para o México, permitindo o reencontro poucas horas antes da morte do jovem.

Deportações continuam

Apesar das críticas, o governo Trump mantém a política de deportações em larga escala.

Tom Homan, principal assessor de segurança de fronteira da Casa Branca, afirmou recentemente à CBS News que o governo pretende continuar com as deportações, mas de forma “mais inteligente”.

Consequências econômicas e humanas

Para especialistas, os dados reforçam que o impacto da repressão migratória vai muito além das estatísticas de prisões e deportações.

Além de separar famílias e gerar insegurança, as medidas podem enfraquecer economias locais, reduzir a produtividade e afetar diretamente setores essenciais para o funcionamento do país.

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