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Revista Brazilian Times # 83
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Ranger demitido por exibir bandeira trans em Yosemite processa governo dos EUA

Colocar bandeiras e banners em El Capitan já faz parte de uma tradição entre escaladores e ativistas para marcar causas sociais e políticas.

Shannon “SJ” Joslin, ex-funcionário do Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira no Tribunal Distrital de Washington, D.C., após ser demitido por ter participado de um protesto em que uma grande bandeira do orgulho transgênero foi estendida na famosa formação rochosa de El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite (Califórnia).

O processo acusa o governo federal, incluindo o Departamento do Interior, o Serviço de Parques Nacionais e o Departamento de Justiça, de violar os direitos constitucionais de Joslin — em especial a Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão.

O que aconteceu

Em maio de 2025, Joslin, que usa pronomes they/them e é biólogo especializado em vida selvagem, participou com um grupo de amigos da colocação de uma bandeira trans — com listras azul, rosa e branco — em uma área de difícil acesso de El Capitan, um dos ícones naturais de Yosemite. Eles penduraram a bandeira em um local conhecido como Heart Ledges, tradicionalmente usado por escaladores e ativistas para exibir mensagens simbólicas.

Segundo o processo, a bandeira ficou erguida por menos de três horas antes de ser removida voluntariamente pelo grupo. Joslin afirma que estava fora do horário de trabalho e agiu como cidadão particular, e não em representação do parque.

Demissão e resposta do governo

Três meses depois do episódio, em julho de 2025, Joslin foi demitido pelo Serviço de Parques Nacionais sob a justificativa de que teria “falhado em demonstrar conduta aceitável durante o emprego”. A agência também abriu uma investigação criminal sobre o ato, embora não tenha apresentado acusações formais até o momento.

O Serviço de Parques disse em comunicado que não comenta detalhes de ações de pessoal, mas reforçou que qualquer demonstração fora das áreas designadas e sem permissão pode afetar a experiência dos visitantes e a proteção dos recursos naturais do parque.

Argumento no processo

No processo, os advogados de Joslin afirmam que a demissão foi motivada pela discordância do governo com a mensagem pró-trans exibida, não por uma violação legítima de regras de conduta. Eles acusam que Joslin foi indevidamente punido por exercer seus direitos constitucionais de liberdade de expressão e buscam a reintegração do funcionário, indenizações e o fim da investigação aberta.

Joslin declarou que esta luta jurídica é mais ampla que sua situação pessoal: “Não são só as pessoas com mais poder que têm acesso aos direitos constitucionais — todos os cidadãos devem ter seus direitos protegidos”, disse em entrevista.

Contexto

Colocar bandeiras e banners em El Capitan já faz parte de uma tradição entre escaladores e ativistas para marcar causas sociais e políticas. Em anos recentes, além de bandeiras do orgulho LGBTQ+, o local já recebeu mensagens de protesto sobre mudanças climáticas e conflitos internacionais.

O caso de Joslin levanta questões sobre limites da liberdade de expressão de servidores públicos, o papel de protestos simbólicos em terras federais e a forma como manifestações políticas são tratadas pelo governo.

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