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Revista Brazilian Times # 86
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Brasileiro diz ter sido enganado com promessa de emprego e forçado a servir no Exército russo

Segundo familiares, Marcelo deixou o Brasil após receber uma oferta que prometia emprego e melhores condições financeiras

Da redação

A família do brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, denuncia que ele foi vítima de um possível esquema de aliciamento internacional após aceitar uma proposta de trabalho como motorista na Rússia e, ao chegar ao país, ser obrigado a servir no Exército russo, em meio ao conflito envolvendo a Ucrânia.

Segundo familiares, Marcelo deixou o Brasil após receber uma oferta que prometia emprego e melhores condições financeiras. A proposta teria sido apresentada por meio de intermediários que se identificavam como facilitadores de trabalho no exterior. No entanto, ao desembarcar em Moscou, no início de dezembro, ele teria sido informado de que o trabalho estava vinculado a um contrato militar com o Ministério da Defesa da Rússia.

De acordo com relatos da família, o brasileiro não fala russo nem possui qualquer tipo de treinamento militar. Ainda assim, teria sido levado a assinar documentos redigidos em russo e, posteriormente, encaminhado para treinamento em uma região próxima à zona de conflito. Desde então, Marcelo afirma que não tem autorização para deixar a unidade militar.

A esposa, Gisele Pereira, afirma que o marido foi coagido e que a situação configura tráfico internacional de pessoas. Segundo ela, passagens, documentação e orientações teriam sido providenciadas por uma empresa brasileira que se apresenta nas redes sociais como assessoria para ingresso no Exército russo, o que levanta suspeitas sobre a atuação do grupo.

O caso ganhou repercussão após a família tornar pública a denúncia e pedir ajuda às autoridades brasileiras. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Moscou acompanha o caso e presta assistência consular, dentro dos limites permitidos pela legislação internacional.

Marcelo deixou no Brasil a esposa grávida e três filhos pequenos. A família relata angústia e medo diante da possibilidade de ele ser enviado para a linha de frente do conflito, sem preparo e contra a própria vontade.

Especialistas em direitos humanos alertam que denúncias semelhantes têm surgido envolvendo estrangeiros atraídos por promessas de trabalho ou remuneração elevada e posteriormente incorporados às forças armadas russas, o que pode caracterizar violação de direitos fundamentais e crimes internacionais.

Enquanto aguarda desdobramentos diplomáticos, a família de Marcelo segue mobilizando apoio público e cobrando uma atuação mais rápida das autoridades para garantir o retorno do brasileiro em segurança ao país.

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