Acabou de acontecer em Nova Iorque, pela segunda vez, o Festival Brasileiro de Cinema Celular que levará diretores novatos a Cannes. O projeto, implementado mundialmente, é criação do cineasta e professor de cinema da NYU (New York University,) Karl Bardosh. Ele nos conta como esta modalidade de festival foi criado, e como ficou feliz em ter convidado o Brasil para a competição.
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Brasileira Que Venceu a Obesidade Imortaliza Seu Filme em Cannes
Acabou de acontecer em Nova Iorque, pela segunda vez, o Festival Brasileiro de Cinema Celular que levará diretores novatos a Cannes. O projeto, implementado mundialmente, é criação do cineasta e professor de cinema da NYU (New York University,) Karl Bardosh. Ele nos conta como esta modalidade de festival foi criado, e como ficou feliz em ter convidado o Brasil para a competição.
“A idéia de criar cinema com telefones celulares surgiu quando resolvi fazer um filme sobre o cineasta brasileiro-americano Arnon Dantas, que vivia entre Miami e Rio de Janeiro.” Karl Bardosh filmou no Brasil, usando a SONY X-1000. A mesma câmera digital de mão usada no movimento Dogme-95, onde cineastas tentaram transformar o cinema numa experiência criativa, eliminando os artifícios das produções formais.
Um de seus colegas, Gabor Kindl, ajudando nessa produção, sugeriu que eles criassem um festival de curta metragens usando apenas câmeras portáteis. Eles começaram a organizar este festival de volta à Hungria democrática de 2004, e como diretor de arte do evento, Karl Bardosh disse, “Que tal incluirmos obras filmadas com câmeras de telefones celulares?” Este festival internacional foi o primeiro globalizado na Europa a introduzir curtas filmados em telefones celulares como categoria. Logo após, Karl começou a promover a idéia pelo mundo. O primeiro festival de curtas exclusivamente filmados com celulares ocorreu na Índia, no Dr. Sandeep Marwah’s Asian Academy of Film and Television, em 2007, e então em Sydney, Austrália em 2011—o ano da criação do Iphone.
Os avanços tecnológicos e a altíssima qualidade das câmeras dos smartfones garantiram o sucesso do projeto. Outros festivais internacionais que incluem a categoria “cinema no celular” ocorrem atualmente na China, Republica Dominicana, Russia e Londres. A Rainha da Nigéria promove um festival anual com curta metragens sobre obras humanitárias. O prêmio principal leva o nome do diretor, The Karl Bardosh Humanitarian Cell Phone Cinema Award.
O Festival Brasileiro de Cinema Celular, que já virou tradição em Nova Iorque, acontece todo novembro: após semanas de workshop com Bardosh e outros roteiristas tutores como a escritora Liza Andrews e a editora de conteúdo Lene Barbosa, nossos conterrâneos finalizam seus filmes. Os finalistas são julgados pelo júri popular e também por um júri internacional, formado em sua maioria por diretores de cinema e especialistas em documentários. A constante no festival tem sido que filmes inspiradores, sobre jornadas pessoais arrebatam os melhores prêmios. Este ano, o primeiro lugar foi para Isabela Adão, um breve memoirs sobre sua batalha contra o câncer de mama. Com a chef Gislaine Murgia não foi diferente. Ela foi a vencedora pioneira do festival em Nova Iorque, pelo filme “A Vida em Azul.” Uma história emocionante e inspiradora de como a diretora usou o vício em comida como escape, e como venceu a obesidade de risco através da psicologia do autoconhecimento e do amor próprio.
A diretora Gislaine Murgia, que aparecerá também no The Liza Andrews Show, na TV americana, foi homenageada semana passada no último festival, e contou o que esta vitória significou para ela. “Como conto no filme, desde criança me lembro de ter sido obesa e ridicularizada por todos, desde os membros da família até os colegas de classe. Minha ansiedade era tanta que eu estocava doces debaixo da cama e comia escondida. Fugia tanto de espelhos, que meu documento de identidade constava que meus olhos eram verdes, quando na verdade, eram azuis. Apenas aos quarenta anos, fiz uma terapia fotográfica que me ensinou a me aceitar e me amar, e finalmente comecei a perder peso. Foi naquela idade, que descobri a cor dos meus olhos e um novo jeito de ver o mundo. Por isso o nome do filme é ‘A Vida em Azul’, vista pelas lentes dos meus novos olhos, da cor correta, e com a percepção que eu precisava para me reinventar. Vencer esse prêmio foi mais do que ganhar um belo troféu, ou levar meu filme a Cannes. Foi poder partilhar com milhares de mulheres como eu, que com a ajuda certa, é possível se amar o bastante para mudar radicalmente o que você não gostava sobre si. Eu perdi mais de cem libras, mas as mudanças internas e externas foram muito além.”
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