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Revista Brazilian Times # 84
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Caso Jordan Brown: quando um garoto de 11 anos foi acusado de homicídio na Pensilvânia — e depois inocentado

Após longas disputas legais, o caso foi transferido para a Justiça da Infância e Juventude.

Em fevereiro de 2009, o garoto Jordan Brown, então com 11 anos de idade, foi acusado de um crime que chocou os Estados Unidos: o assassinato a tiros de Kenzie Houk, de 26 anos, que estava grávida de oito meses e era noiva do pai de Jordan, em Wampum, no oeste da Pensilvânia. Houk e seu bebê morreram após receberem um tiro enquanto dormiam.

O caso ganhou enorme repercussão porque, pela lei da Pensilvânia na época, qualquer homicídio — mesmo envolvendo um menor de idade — começava no tribunal de adultos. Assim, Brown foi inicialmente julgado como adulto por um crime de primeira instância, algo extremamente raro nos EUA dada sua idade.

Após longas disputas legais, o caso foi transferido para a Justiça da Infância e Juventude. Em 2012, um juiz o considerou “delinquente” por homicídio, o equivalente a uma condenação para um menor, e Brown foi mantido sob custódia juvenil. Ele passou mais de sete anos em instituições de reabilitação, sendo liberado em 2016 quando completou 18 anos.

No entanto, em 18 de julho de 2018, a Suprema Corte da Pensilvânia — o tribunal mais alto do estado — anulou essa decisão em unanimidade. Os juízes entenderam que não havia provas suficientes para estabelecer, além de qualquer dúvida razoável, que Brown havia cometido o crime, especialmente porque não havia certeza de que a arma de Jordan era a arma do crime. A decisão declarou que o Estado falhou em provar a acusação e, por isso, Brown foi inocentado e liberado permanentemente.

Hoje, a morte de Kenzie Houk e de seu filho não teve outro responsável condenado pelo crime, e o caso segue sem resolução criminal depois de mais de uma década.

Nos últimos anos, Brown — agora adulto — moveu processos civis alegando que suas liberdades civis foram violadas durante a investigação e acusação quando criança. Em dezembro de 2024, um júri federal decidiu que os policiais que o investigaram não violaram seus direitos constitucionais, em um julgamento relacionado a essa ação civil.

Esse caso continua sendo estudado como um exemplo complexo das implicações legais e éticas de acusar crianças por crimes graves, e das dificuldades de equilibrar justiça, proteção dos direitos humanos e segurança pública.

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