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Revista Brazilian Times # 85
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Coluna Arilda: A Arte de Ser Livre: Uma Conversa com Miguel Gontijo

Miguel Gontijo é um artista plástico brasileiro, nascido em 1949 em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais. Ele é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Arte e Contemporaneidade. Gontijo é conhecido por suas obras que exploram temas como a cultura, a história e a identidade brasileira.

Miguel Gontijo é um artista plástico brasileiro, nascido em 1949 em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais. Ele é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Arte e Contemporaneidade. Gontijo é conhecido por suas obras que exploram temas como a cultura, a história e a identidade brasileira.

Ele já participou de várias exposições importantes, incluindo a Chromatica, durante a Art Basel Week em Miami, e “Em Nome do Pai”, no Museu Histórico de Pindamonhangaba (SP) e “A Pedra da Melancolia” no Mineiro, em Belo Horizonte. Suas obras estão em acervos públicos e particulares nos Estados Unidos, Itália e Brasil.

Gontijo também foi agraciado com o prêmio Mario Pedrosa, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA\SP – 2010) e a Comenda das Artes em 2025, durante uma cerimônia na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

– Como você descreveria seu estilo artístico e como ele evoluiu ao longo da sua carreira?

Acredito estar incluído dentro da Arte Pop. Como tenho um pé também no surrealismo, hoje esse estilo ganhou nome: “Arte Lowbrow”. Creio que aí me situo, porém não tenho uma preocupação com essa definição e isso não cabe a mim definir. O que quero é fazer.

– Quais são as principais influências artísticas em sua trajetória? Você se inspirou em artistas brasileiros ou internacionais?

A grande influência na minha vida foi Bosch e Bruegel. Alimentei-me deles por vários anos antes de me tornar artista. Depois tentei matá-los dentro de mim a fim de ganhar fôlego novo. Mas não consegui. Até hoje eles continuam me “importunando”. Fiz até uma série de desenhos que denominei “Desavença” onde registro esse desejo de matá-los.

– Seu trabalho explora temas como a cultura e a identidade brasileira. O que o inspira a abordar esses temas?

Eu não carrego nenhuma bandeira. Quero ser livre e respeitar ao máximo a cultura da qual eu sou formado. Creio que registro nos meus trabalhos o que sou e como fui moldado.

– Como você acredita que a arte pode influenciar a sociedade e a cultura? Qual é o papel do artista nesse processo?

Nas Artes Plásticas influências são mais demoradas e sutis, embora ela tenha um papel profundo na forma como uma sociedade se entende e se expressa. Ela não é apenas estética – é também comunicação, crítica e identidade. A Arte plástica fortalece a identidade cultural de um país ajudando as pessoas a se reconhecerem como parte de um grupo, sendo o artista o agente central nesse processo, porque é ele quem transforma a realidade em expressão simbólica e provoca diálogo na sociedade.

– Você já participou de exposições importantes, como a Chromatica, em Miami. Qual foi a experiência mais marcante para você?

A experiência mais importante para mim foi o lançamento dos meus livros (Pintura Contaminada e Axis Mundi). Foram eles que me fizeram ver a unidade do meu trabalho e possibilitaram novos vôos, mais visibilidade e acolhimento. Exposições, feiras, são efêmeras e facilmente esquecidas. O livro não. Ele intensifica, impõe e registra o trabalho ao longo do tempo.

– Suas obras estão em acervos públicos e particulares nos Estados Unidos, Itália e Brasil. Qual é o significado de ter seu trabalho reconhecido internacionalmente?

Tal como um filho, seu trabalho caminha sozinho. É emancipado e chega a lugares que, às vezes, nem o artista transita. Tal como um pai, muito me orgulho do seu trajeto.

– Como você equilibra a criatividade com a técnica e a precisão em seu trabalho?

Essa “coisa” é um combo. Vem tudo junto. Arte é um trabalho que exige aprimoramento ao longo de toda nossa vida. Precisamos sempre nos reciclar, nos tornar novos, estar atento a mudanças e não ter medo de descartar tudo quando for necessário.

– Você é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Arte e Contemporaneidade. Como essas disciplinas influenciam sua arte?

História e Filosofia são fundamentais para a arte, porque dão conteúdo, sentido e direção ao que é criado. A Arte não surge do nada. Ela é profundamente ligada ao pensamento e ao contexto de cada época. A História influencia ao fornecer o contexto social, político e cultural. A Filosofia por sua vez, influencia a arte ao oferecer ideias, questionamentos e visões de mundo.

– Qual é o seu processo criativo? Como você desenvolve uma ideia até torná-la uma obra de arte?

A “coisa” acontece. Assentado diante de uma tela branca você impõe um desejo há muito vivido e fomentado dentro de você. Sinto-me sempre à procura de não sei o que e nem pra que. Há uma busca infinda a procura de algo. (e no meu caso, uma eterna insatisfação, que me faz estar sempre correndo atrás de novas possibilidades.)

– Qual é o legado que você quer deixar? Como você gostaria de ser lembrado no futuro?

A arte deixa pegadas, nossos registros de quando passamos por aqui, na Terra. O que acontecerá no futuro não vai depender de mim. Sou apenas mais um passageiro que gostaria muito de que minhas pegadas tivessem significados.

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