No ecossistema de uma empresa existe o valor de compra visível e o valor efetivo em cada produto ou serviço. Nos contratos cooperativos, em ordens de compras e também em negociações de imóveis, o termo preço de compra é bastante comum e por isso a necessidade de compreensão.
A analogia do iceberg é também bastante conhecida no mundo empresarial pois exemplifica a diferença entre preço de compra versus o valor efetivo. Ao pensar na estrutura de um iceberg é possível observar tanto o ângulo visível para quem vê acima da superfície quanto imaginar o que não se pode ver do que está submerso.
O que se encontra acima da superfície é apenas uma pequena parte do iceberg, ou seja, o que se encontra abaixo da superfície é extremamente maior e mais extenso. Para quem possui experiência em navegação em oceanos próximo às geleiras, conhece bem o risco de não atentar para a sinalização do radar ou sonar.
Entender a estrutura de compra e venda, assim como de preço de venda e de custo efetivo é tão imprescindível para o empreendedor quanto o radar é para o navegador.
O iceberg ilustra os perigos que envolvem o custo efetivo, pois a ponta é a menor parte da dimensão total do preço final. Neste caso, o preço de compra é o valor que está na etiqueta ou na nota fiscal, no entanto, o custo efetivo possui um impacto no fluxo de caixa real e de efeito de longo prazo.
O custo efetivo representa o valor da manutenção, os custos de transação, o frete, a depreciação do produto, além do valor de impostos que não são recuperáveis.
Um exemplo de simples compreensão é: Se a empresa compra um maquinário por R$100.000 (preço de compra) financiado em 36 vezes, o desembolso total com os juros pode chegar a R$140.000. Se somarmos R$10.000 de instalação e R$5.000 de manutenção anual, o custo efetivo do ativo é muito maior do que o preço original.
Por isso, o planejamento de caixa deve ser feito com base no custo efetivo, nunca no preço de compra.
Na analogia do iceberg, o preço de compra é o que se vê acima da linha da água, ou seja, é visível para todos. Neste caso pode ser exemplificado como o valor do desembolso inicial da primeira parcela ou do valor pago à vista.
Já o custo efetivo, se não administrado corretamente, é o que geralmente afunda uma empresa. As saídas recorrentes com operação e manutenção, os juros e encargos e os impostos e a depreciação podem são considerados drenos que muitas das vezes destroem o crescimento e consome o fundo de caixa quando não bem administrados.
O mesmo ocorre quando um empresário resolve, precipitadamente, adquirir um carro de luxo ou até mesmo uma aeronave, sem analisar o custo efetivo só para “impressionar” a concorrência, ou para apresentar “status”.
Ao comprar um meio de transporte que está acima das possibilidades apenas para “causar” é como mirar o pé esperando não ser atingido.
Voltando a analogia do iceberg, o preço de compra é o que o negociador acredita que caberá no bolso. O erro do empreendedor iniciante, ou até mesmo de quem está em busca de fazer um investimento imobiliário apenas olhando para a parte visível do iceberg sem levar em consideração do que não se vê.
Para compreender melhor, observe o exemplo à seguir que drena o fluxo de caixa relacionados ao custo efetivo em ação, como: juros ocultos, custo de implementação e consultoria, treinamento de equipe, mensalidade com marketing etc…
Juros Ocultos do Parcelamento: O empreendedor não tinha os R$50.000 à vista, então aceitou um financiamento em 12 parcelas de R$5.000. O valor total pago ao final já subiu para R$60.000 (R$10.000 apenas de juros e encargos).
Custo de Implantação e Consultoria: O software não roda sozinho. Foi necessário contratar uma consultoria externa para configurar o sistema, custando mais de R$20.000 nos primeiros 3 meses.
Treinamento da Equipe (Custo de Oportunidade): Os funcionários precisaram parar de produzir por duas semanas para treinar o uso da nova ferramenta. Horas pagas sem gerar receita operacional: equivalente a R$8.000.
Mensalidade de Suporte e Servidor Nuvem: Para manter o sistema no ar e atualizado, há uma taxa mensal obrigatória de R$1.500. Em um ano, isso soma R$18.000. que não estava na "ponta do iceberg".
Existe ainda o risco geral “ativo morto” que ocorre quando o empreendedor ou investidor apenas se atenta ao valor inicial e não aos custos submersos. Na próxima edição o leitor vai poder continuar aprendendo a como proteger a empresa, tanto na venda quanto e principalmente na compra.





