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Coluna Jheny: O que a escola vê que você ainda não viu

A professora pede para conversar, e talvez você já tenha sentido aquele aperto no peito antes mesmo de saber o que ela vai dizer. “Mas em casa ele não faz isso.” “Comigo ela é completamente diferente.” “Será que a…

Publicado em 08/31/26
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Coluna Jheny: O que a escola vê que você ainda não viu

A professora pede para conversar, e talvez você já tenha sentido aquele aperto no peito antes mesmo de saber o que ela vai dizer.

“Mas em casa ele não faz isso.” “Comigo ela é completamente diferente.” “Será que a professora não está exagerando?”

Eu entendo. Quando alguém nos conta algo difícil sobre nossos filhos, é muito fácil escutarmos aquilo como uma crítica à nossa forma de educar. Quase como se, por trás de “ele está tendo dificuldade”, estivéssemos ouvindo: “você está fazendo alguma coisa errada”.

Mas e se mudássemos a pergunta para: e se a escola estiver vendo uma parte da nossa criança que nós ainda não tivemos a oportunidade de conhecer?

Porque nossos filhos não são exatamente iguais em todos os lugares, e inclusive nem nós somos. Em casa existe o ambiente conhecido, nossas rotinas, nossos afetos e uma dinâmica que aquela criança conhece desde muito pequena. Na escola, existe outro mundo pois lá precisa dividir atenção, esperar, negociar com outras crianças, lidar com frustrações, acompanhar uma rotina coletiva, comunicar o que precisa e encontrar seu lugar naquele grupo.

E tudo isso nos conta alguma coisa. A criança que está tranquila em casa e apresenta dificuldades na escola não está necessariamente “fazendo drama”. Assim como um comportamento difícil na escola não significa automaticamente que exista um problema em casa. Comportamento é informação, não diagnóstico.

E é justamente aí que família e escola mais precisam uma da outra. O professor observa nossa criança em situações que nós não vemos. E nós conhecemos histórias, mudanças, medos, rotinas e acontecimentos que a escola talvez desconheça. Nenhum dos dois tem a fotografia inteira. Mas, quando juntamos essas duas partes, talvez consigamos enxergar um pouco melhor aquela criança.

Por isso, diante de um “precisamos conversar”, talvez possamos tentar trocar a defensiva pela curiosidade, e em vez de começar com: “Mas o que ele fez?”, experimentar perguntar: “O que vocês estão percebendo nele?”

Isso não significa concordar com tudo. Pais também podem questionar abordagens, discordar e defender seus filhos quando necessário. Parceria não é concordância, é conseguir sentar à mesma mesa entendendo que aquela conversa não deveria ser sobre encontrar culpados, mas sim sobre compreender uma criança.

Família e escola não estão em lados diferentes tentando descobrir quem está certo, elas precisam estar do mesmo lado, olhando para a mesma criança, porém de ângulos diferentes.

Fonte: Da redação

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