Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4392

Última Edição #4392

Edição MA 4392

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
Última Edição #86

(Coluna Kissila) Joyce Dias: da separação forçada à missão de ajudar imigrantes brasileiros nos Estados Unidos

Natural de Governador Valadares (MG), Joyce Dias hoje é paralegal especializada em imigração e serviços consulares, atuando diretamente no apoio à comunidade brasileira na Carolina do Sul. Sua trajetória, marcada por desafios pessoais, separações e perseverança, é também a base do propósito que a move profissionalmente.

Natural de Governador Valadares (MG), Joyce Dias hoje é paralegal especializada em imigração e serviços consulares, atuando diretamente no apoio à comunidade brasileira na Carolina do Sul. Sua trajetória, marcada por desafios pessoais, separações e perseverança, é também a base do propósito que a move profissionalmente.

Joyce chegou aos Estados Unidos ainda criança. Sua mãe imigrou primeiro, quando Joyce tinha apenas quatro anos. Durante seis anos, mãe e filha viveram separadas. “Eu só reencontrei minha mãe quando vim para os Estados Unidos com 10 anos. Foi um período muito difícil”, relembra.

Após a regularização dos documentos, Joyce passou a morar com a mãe, que havia se casado com um cidadão americano. Nos EUA, cursou a quinta série, concluiu o ensino médio e, aos 17 anos, mudou-se para Massachusetts. Foi lá que conheceu o homem que viria a se tornar seu marido.

O relacionamento, porém, enfrentaria uma das fases mais difíceis possíveis: o companheiro de Joyce foi deportado. Sem hesitar, ela decidiu voltar ao Brasil para ficar ao lado dele. O casal viveu no país por cerca de dez anos, período conhecido como o “castigo” imposto em casos de deportação. Durante esse tempo, eles se casaram e construíram a família.

Antes mesmo de completar os dez anos, Joyce e o marido deram início ao processo de legalização. Primeiro, foi feito o reconhecimento do relacionamento. Em seguida, entraram com o pedido de perdão migratório. Para comprovar “dificuldades extremas”, Joyce precisou retornar aos Estados Unidos com os dois filhos pequenos: Melyssa, então com oito anos, e Luíz Miguel, de dois anos e meio.

Ela voltou a morar na casa da mãe e, durante o processo, seguia viajando ao Brasil para visitar o marido. Em uma dessas viagens, engravidou do terceiro filho, Benjamin. Joyce retornou aos Estados Unidos grávida, sozinha, com duas crianças pequenas, aguardando a aprovação do perdão migratório.

O processo foi longo, doloroso e marcado por dificuldades emocionais e financeiras. O marido acompanhou o nascimento do filho apenas por vídeo, já que o perdão não havia sido aprovado a tempo. “Foi uma das fases mais difíceis da nossa vida”, conta.

Após a aprovação, o marido passou pela entrevista no consulado, recebeu o visto de imigrante e, algumas semanas depois, conseguiu retornar legalmente aos Estados Unidos.

A mudança para Greenville, na Carolina do Sul, aconteceu após anos em Massachusetts. Cansados do frio intenso e incentivados por amigos que já moravam na região, a família decidiu visitar a cidade. “Viemos conhecer e nos apaixonamos”, diz Joyce.

Com os filhos crescendo e entrando na escola, Joyce sentiu que era hora de retomar um sonho antigo: ajudar pessoas na área migratória. Mesmo antes de se profissionalizar, ela já auxiliava amigos e conhecidos brasileiros com informações, pesquisas e orientações — sempre de forma voluntária.

“Sempre gostei de estudar, pesquisar e ajudar. Mesmo quando eu não sabia a resposta, eu corria atrás”, explica. A vivência pessoal com imigração fez nascer o desejo de transformar essa ajuda em profissão.

Joyce então concluiu o curso de paralegal (Legal Assistant) e, atualmente, está se especializando em imigração. “É uma área que exige estudo constante. Nunca vou parar de aprender”, afirma.

Hoje, Joyce atua pela JD Multiservices, em parceria com a JJ Santiago, cuja sede principal fica em Washington, DC. Ela trabalha diretamente com clientes, realizando o preenchimento de formulários, organização de documentação e acompanhamento de processos migratórios, sempre sob a supervisão legal da empresa.

Entre os serviços prestados estão processos de Green Card por casamento ou parentesco, vistos, asilo, defesa contra deportação, fianças migratórias e defesa em casos de fraude. Além disso, Joyce também atua fortemente na área de serviços consulares brasileiros.

Ela realiza agendamentos no Consulado Brasileiro em Atlanta, renovação de passaportes, registros de nascimento, casamento, divórcio, homologação de divórcio no Brasil (em parceria com advogados especializados), segunda via de certidões, saída definitiva do Brasil, entre outros serviços.

Joyce reforça a importância de manter a documentação brasileira sempre regularizada, mesmo para quem vive fora de status migratório nos Estados Unidos. “Muita gente acha que não precisa registrar casamento, mas isso pode gerar grandes problemas no futuro”, alerta.

Ela destaca casos delicados em que pais são detidos pela imigração e os filhos não possuem registros consulares, dificultando autorizações e decisões urgentes. “Documentação em dia pode fazer toda a diferença em momentos críticos”, afirma.

Atualmente, a maior parte dos seus clientes chega por indicação. “É tudo muito orgânico. As pessoas confiam porque sabem que faço com responsabilidade e coração”, diz. Em muitos casos, Joyce continua ajudando gratuitamente pessoas em situação de extrema necessidade.

Seu escritório está localizado em Simpsonville, Carolina do Sul, e o atendimento pode ser feito também por telefone e redes sociais.

Ao ser questionada se pensa em cursar Direito no futuro, Joyce sorri e responde com sinceridade: “Já pensei, sim… mas seriam mais uns dez anos de estudo. Por enquanto, sigo focada em fazer bem o que faço hoje: ajudar a comunidade imigrante.”

Contatos:

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×