Uma advogada de imigração de Houston, no Texas, foi presa e indiciada por autoridades federais sob acusação de enganar clientes que a contrataram para cuidar de processos relacionados a vistos e autorização de trabalho nos Estados Unidos. Uma investigação mais ampla conduzida no Condado de Harris aponta que mais de 100 pessoas podem ter sido vítimas do suposto esquema.
A acusada é Alla Nowowiejski, de 44 anos, que responde a acusações de fraude postal e declarações falsas. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ela recebia pagamentos de clientes para ajudá-los a estabelecer ou ajustar sua situação de trabalho e solicitar vistos. O problema, de acordo com a acusação, é que alguns desses pedidos nunca teriam sido apresentados às autoridades ou teriam sido protocolados apenas parcialmente.
Os investigadores afirmam ainda que Nowowiejski teria fornecido a clientes documentos falsos ou números de referência vinculados a processos migratórios ativos de outras pessoas. A intenção, segundo os promotores, seria fazer com que os clientes acreditassem que seus pedidos estavam regularmente tramitando perante as autoridades de imigração.
O processo federal atualmente detalha acusações envolvendo dois clientes. No entanto, o escritório do Harris County Precinct 1 Constable, que iniciou a investigação, informou que a apuração mais ampla identificou mais de 100 pessoas que teriam sido prejudicadas pela advogada.
O caso chama atenção especialmente pela vulnerabilidade dos clientes envolvidos. Ao procurar assistência jurídica para regularizar a permanência ou conseguir autorização para trabalhar nos Estados Unidos, imigrantes entregam a profissionais documentos pessoais, dinheiro e, muitas vezes, decisões que podem afetar diretamente seu futuro no país.
As autoridades alegam ainda que, em um dos casos, a advogada fez com que um cliente enviasse ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) registros de vacinação que não eram necessários. Ela também é acusada de apresentar registros médicos enquanto afirmava falsamente que as informações haviam sido solicitadas pela agência migratória.
As acusações atuais não representam a primeira vez que o trabalho de Nowowiejski é questionado. Em 2023, a empresa Audubon Engineering Operations entrou com uma ação contra a advogada alegando negligência e má prática profissional em processos migratórios envolvendo pelo menos cinco funcionários.
Segundo a ação, a empresa descobriu que documentos não estavam sendo protocolados como teria sido informado pela advogada. Nowowiejski não respondeu ao processo e uma decisão à revelia superior a US$ 300 mil foi posteriormente determinada.
Nowowiejski foi presa e compareceu inicialmente perante um juiz federal em Houston. Ela se declarou inocente e foi liberada sob fiança, segundo o Houston Chronicle.
Caso seja condenada pela acusação de fraude postal, poderá receber uma pena de até 20 anos de prisão federal e multa de até US$ 250 mil. O caso foi investigado pelo Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna e pelo Escritório do Inspetor-Geral do Serviço Postal dos Estados Unidos, com participação do USCIS e das autoridades do Condado de Harris.
As acusações fazem parte de um processo ainda em andamento. O próprio Departamento de Justiça ressalta que um indiciamento representa uma acusação formal, e não prova de culpa. Nowowiejski é considerada inocente até que sua eventual responsabilidade seja estabelecida judicialmente.





