Nesta sexta-feira, uma juíza federal fez duras críticas aos advogados do Departamento de Justiça sobre os planos do governo Trump de deportar novamente Kilmar Abrego Garcia — um salvadorenho que, no início do ano, foi erroneamente enviado para uma prisão em El Salvador e depois trazido de volta aos Estados Unidos para responder a acusações criminais.
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Autoridades do governo Trump afirmam em tribunal que os EUA negociam com vários países o destino de Kilmar Abrego Garcia
Nesta sexta-feira, uma juíza federal fez duras críticas aos advogados do Departamento de Justiça sobre os planos do governo Trump de deportar novamente Kilmar Abrego Garcia — um salvadorenho que, no início do ano, foi erroneamente enviado para uma prisão em El Salvador e depois trazido de volta aos Estados Unidos para responder a acusações criminais.
A juíza Paula Xinis, da Corte Distrital dos EUA, questionou por que as autoridades de imigração ainda não concretizaram a transferência de Abrego Garcia para a Costa Rica — país que ele escolheu como destino e que já manifestou estar disposto a recebê-lo.
Durante a audiência, Xinis demonstrou irritação com o depoimento de Jonathan Schultz, funcionário do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), que deu respostas vagas sobre os próximos passos do governo em relação a uma possível deportação de Abrego Garcia para Essuatíni (antiga Suazilândia) ou outros países.
A magistrada criticou o governo por apresentar uma testemunha “que não sabe praticamente nada sobre a Costa Rica” e afirmou que suas instruções anteriores sobre o escopo do depoimento foram ignoradas.
Enquanto o processo criminal de Abrego Garcia por contrabando de pessoas segue no Tennessee, a juíza manteve uma ordem que impede sua remoção dos EUA desde agosto e agora avalia se ele poderá ser libertado da custódia migratória.
Schultz informou que os EUA mantêm conversas com diversos países para tentar viabilizar o recebimento de Abrego Garcia. Segundo ele, existe um acordo com Essuatíni para acolher deportados, mas o país ainda não aceitou especificamente o salvadorenho.
O funcionário também mencionou tratativas com Gana, mas o aviso de deportação foi enviado por engano. O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, declarou nas redes sociais que o país “não aceitará Abrego Garcia” e reforçou que essa posição já foi comunicada oficialmente a Washington.
Schultz afirmou acreditar que, assim que algum país aceitar receber Abrego Garcia, ele poderá ser deportado em até 72 horas.
A juíza quis saber quais medidas concretas o governo tomou para efetivar a transferência à Costa Rica, o destino desejado pelo réu. Schultz revelou que as conversas com Essuatíni começaram apenas depois que Uganda se recusou a recebê-lo.
Os advogados de Abrego Garcia pediram sua libertação, citando uma decisão da Suprema Corte de 2001 que proíbe a detenção indefinida de pessoas com ordem de deportação pendente. Eles argumentam que a detenção já ultrapassou o prazo “razoável” previsto por lei.
O advogado Andrew Rossman acusou o governo de agir de forma punitiva e deliberadamente escolher países “impróprios” para prolongar a detenção de seu cliente, dizendo que a administração “fracassou três vezes” em encontrar um destino viável.
A juíza Xinis também questionou por que o governo não discutiu diretamente com Abrego Garcia e seus defensores a possibilidade de deportação à Costa Rica.
Abrego Garcia viveu mais de uma década em Maryland com sua esposa e filhos antes de ser detido em março e deportado para El Salvador, apesar de uma decisão judicial de 2019 que proibia sua remoção devido ao risco de perseguição por gangues.
Em abril, Xinis ordenou seu retorno aos Estados Unidos — decisão que o governo resistiu a cumprir por semanas. Ele foi trazido de volta em junho após ser acusado formalmente por duas supostas infrações de contrabando humano, das quais se declarou inocente.
Mesmo após uma ordem judicial de soltura sob fiança em julho, ele permaneceu detido por receio de nova deportação. Atualmente, está em um centro de detenção na Pensilvânia.
Um juiz federal no Tennessee levantou recentemente suspeitas de que o processo criminal contra Abrego Garcia possa ter caráter “vingativo”, sugerindo que o governo buscava retaliar vitórias judiciais anteriores do réu.
De acordo com Schultz, cerca de 62 mil pessoas estão atualmente sob custódia migratória nos Estados Unidos.
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