Operações recentes do ICE em Massachusetts e Connecticut resultaram na prisão de estrangeiros procurados por assassinatos em seus países de origem; autoridades criticam políticas de “cidades santuário”
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Cinco foragidos por homicídio são presos em áreas santuário da Nova Inglaterra, diz ICE
Agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) prenderam, nas últimas semanas, cinco foragidos internacionais acusados de homicídio em seus países de origem, que estavam vivendo em regiões consideradas “santuário” na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Os detidos são naturais do Brasil, El Salvador e República Dominicana e eram alvo de mandados de prisão por assassinato ou crimes relacionados.
Segundo as autoridades, todos teriam entrado ilegalmente nos Estados Unidos e, posteriormente, se estabelecido em estados como Massachusetts e Connecticut — ambos classificados pelo governo federal como jurisdições que limitam ou dificultam a cooperação com a imigração.
De acordo com dados citados pelo portal The Center Square, ao menos 35 estados possuem áreas consideradas santuário. Em Connecticut, seis cidades estão na lista federal, enquanto Massachusetts soma 13 condados e 12 cidades. O levantamento, no entanto, não inclui o município de Natick, que adotou esse status posteriormente.
As prisões ocorreram em diferentes localidades da região. Em Waterbury, Connecticut, agentes do ICE detiveram o salvadorenho Danny Granados-Garcia, procurado por homicídio qualificado e apontado como integrante da organização criminosa MS-13, classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira.
Já em Worcester, Massachusetts, foram presos o brasileiro Magno José dos Santos, acusado de homicídio e tentativa de crime em 2021, e o dominicano Bryan Rafael Gomez, com mandado de prisão por homicídio emitido em 2023.
Outros dois brasileiros foram capturados em cidades do estado: Kele Cristian Alves-Pereira, em Everett, procurado por um assassinato ocorrido em 2021, e Altieris Chaves Paiva, em Falmouth, acusado de homicídio em 2024.
As autoridades federais afirmam que as operações fazem parte de um esforço mais amplo de combate a criminosos estrangeiros considerados perigosos. Segundo o ICE, casos recentes incluem a prisão de brasileiros com histórico criminal grave, entre eles um homem condenado por 11 homicídios no Brasil e sentenciado a mais de 200 anos de prisão, que fugiu para os Estados Unidos após o julgamento e foi localizado em Massachusetts.
Além disso, o órgão aponta que outros brasileiros detidos recentemente enfrentam acusações como estupro de menor, tráfico de drogas e assassinato.
Dados divulgados pelo ICE indicam que cerca de 70% das prisões realizadas durante a atual política de fiscalização migratória envolvem indivíduos com antecedentes criminais nos Estados Unidos.
Em nota, o diretor interino do escritório do ICE em Boston, David Wesling, afirmou que, mesmo quando não possuem histórico criminal em território americano, os foragidos internacionais representam risco à segurança pública.
“Mesmo que alguns desses fugitivos estrangeiros não tivessem acusações criminais nos Estados Unidos, todos colocavam em risco nossas comunidades na Nova Inglaterra. Continuaremos a perseguir esses criminosos perigosos, apesar das políticas que tentam protegê-los”, declarou.
O tema reacende o debate sobre as chamadas “cidades santuário”, frequentemente criticadas por autoridades federais por limitarem a atuação da imigração, enquanto defensores argumentam que essas políticas são fundamentais para proteger direitos civis e fortalecer a confiança entre comunidades imigrantes e autoridades locais.
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