Na manhã de 7 de outubro, câmeras de segurança registraram Vicente sorrindo e dançando com um amigo em uma calçada de Los Angeles — apenas minutos antes de testemunhas afirmarem que agentes com máscaras detiveram várias pessoas na região.
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Desaparecimento de imigrante detido por agentes de imigração gera críticas ao DHS
Da redação
Um homem mexicano de 44 anos, Vicente Ventura Aguilar, está desaparecido há mais de um mês após, segundo familiares e testemunhas, ter sido detido por agentes de imigração em Los Angeles (Califórnia) no dia 7 de outubro. A história exposta por sua família evidencia possíveis falhas no sistema de detenção de imigrantes e reacende alertas sobre transparência e responsabilidade das autoridades migratórias.
O que se sabe até agora
Na manhã de 7 de outubro, câmeras de segurança registraram Vicente sorrindo e dançando com um amigo em uma calçada de Los Angeles — apenas minutos antes de testemunhas afirmarem que agentes com máscaras detiveram várias pessoas na região.
Segundo os relatos, ele teria sido algemado e colocado dentro de uma van. O amigo que o acompanhava declarou que ambos foram levados para uma instalação temporária de detenção, conhecida como B-18, localizada em um prédio federal no centro de Los Angeles.
Ainda segundo a versão da testemunha, no dia seguinte (8 de outubro), durante o transporte rumo à fronteira para possível deportação, Vicente teria sofrido uma emergência médica dentro de um ponto de controle — convulsões, perda de consciência e sangramento no rosto foram descritos. Ele teria sido retirado da sala para receber atendimento; desde então, não houve mais notícias sobre ele.
A família e advogados relatam ter rastreado hospitais locais, consultado autoridades policiais e procurado registros de detenção e transporte — sem sucesso. Também entraram em contato com o consulado mexicano e buscaram ajuda junto ao escritório de Sydney Kamlager-Dove, deputada democrata por Los Angeles, que formalizou pedido de explicações às autoridades federais.
A versão oficial e as contradições
Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) reconheceu que, entre os dias 7 e 8 de outubro, 73 pessoas de nacionalidade mexicana foram detidas em Los Angeles. Contudo, garantiu que nenhuma delas correspondia a Vicente Ventura Aguilar.
A agência afirma que detidos possuem acesso a telefone e advogados, e que um sistema on-line de localização permite que famílias verifiquem a situação dos presos.
Para a família e seu advogado, no entanto, há indícios de que Vicente poderia ter sido registrado com nome diferente — algo que, segundo eles, ocorre com frequência em operações de detenção em massa — e pedem que autoridades busquem por variações do nome ou usem dados biométricos para confirmar se ele passou por custódia.
O que o caso revela
O desaparecimento de Vicente expõe fragilidades graves no controle de custódias e na transparência de operações migratórias. O fato de uma pessoa supostamente detida — e que, segundo uma testemunha, sofreu colapso médico durante a custódia — não constar nos registros oficiais levanta questionamentos sobre confiabilidade do sistema. Para grupos de imigrantes e defensores dos direitos humanos, o episódio reforça o risco de detentos “desaparecerem” em meio a deportações em massa e falta de rastreabilidade.
O caso também surge em meio ao aumento de operações de imigração nos EUA, com reportes recentes de detenções em massa e críticas sobre negligência médica em centros de detenção. Por exemplo, um outro imigrante mexicano morreu recentemente sob custódia da agência U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), reacendendo debates sobre as condições oferecidas aos detidos.
O apelo da família e o pedido de investigação
A família de Vicente, por meio de seu advogado e com apoio da deputada Sydney Kamlager-Dove, exige que o DHS e a agência ICE realizem uma investigação abrangente — vasculhando registros de detenção, transporte, atendimentos médicos e eventuais variações de nome. Eles pedem ainda que, se houver na base de dados alguém com as mesmas características físicas ou datas de nascimento coincidentes, seja fornecida a localização dessa pessoa.
“Não deveria haver uma única família no país tendo que fazer buscas em hospitais, delegacias e necrotérios para descobrir se um ente querido está vivo”, disse a advogada da família. A falta de resposta oficial até o momento alimenta o medo e a insegurança de que ele possa estar ferido, detido sob nome falso ou até mesmo morto — algo que os familiares ainda não conseguem confirmar.



