Atualmente, Juarez vive na casa dos pais, em Puebla, México, enquanto sua esposa e quatro filhos permanecem nos Estados Unidos.
Publicidade
Publicidade
Ex-funcionário de clube de golfe de Trump é deportado por engano pelo ICE
O imigrante mexicano Alejandro Juarez, de 39 anos, ex-funcionário de um clube de golfe da Organização Trump em Nova York, foi deportado por engano pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), segundo reportagem do The New York Times. Juarez afirma que não teve a oportunidade de apresentar sua defesa diante de um juiz de imigração antes de ser enviado ao México.
Detido em 15 de setembro, em Nova York, após comparecer a uma reunião de rotina com agentes do ICE, Juarez deveria ser transferido para um centro de detenção no Arizona. Em vez disso, foi colocado em um voo para o Texas e obrigado a atravessar a ponte sobre o Rio Grande em direção ao território mexicano. “E foi assim que terminou minha jornada nos Estados Unidos”, disse ele ao jornal.
As autoridades do ICE perceberam o erro apenas depois da deportação e admitiram que Juarez foi “removido para o México antecipadamente por ter sido colocado no transporte incorreto”. O Departamento de Segurança Interna (DHS) inicialmente negou o caso, alegando que Juarez não havia sido deportado, mas acabou reconhecendo a falha.
O incidente pode configurar violação das leis federais de imigração, que garantem à maioria dos imigrantes o direito a uma audiência judicial antes da remoção. Segundo o Times, o ICE não possui registros precisos sobre quantos imigrantes foram deportados indevidamente em situações semelhantes.
Kerry Doyle, ex-advogada sênior do ICE durante o governo Biden, afirmou que o erro reflete a sobrecarga enfrentada pela agência desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. “Com o volume de detenções tão alto e as equipes sobrecarregadas, não é surpreendente que esse tipo de erro ocorra”, declarou.
Juarez viveu por mais de 20 anos nos Estados Unidos. Cruzou a fronteira em 2002, aos 16 anos, e construiu família em Nova York, onde trabalhou por mais de uma década no Trump National Golf Club Westchester. Foi demitido em 2019, durante a primeira gestão de Trump, junto com outros funcionários indocumentados.
Em 2022, Juarez foi condenado a três anos de liberdade condicional por dirigir embriagado com dois de seus filhos no carro, fato que o colocou sob vigilância do ICE. Após sua deportação, sua audiência judicial, marcada para 25 de setembro, ocorreu sem ele — o que, segundo seu advogado, Aníbal Romero, “é algo sem precedentes em 20 anos de prática”.
Atualmente, Juarez vive na casa dos pais, em Puebla, México, enquanto sua esposa e quatro filhos permanecem nos Estados Unidos. “Meus filhos de 10 e 12 anos me ligam e perguntam: ‘Quando você volta, papai? Sentimos sua falta’”, contou emocionado.
Publicidade




