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Revista Brazilian Times # 85
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Freira detida pelo ICE no Texas fala pela primeira vez e teme nova prisão nos Estados Unidos

A religiosa foi abordada por dois agentes do ICE no dia 28 de junho, enquanto caminhava de sua residência até a igreja Our Lady of Sorrows, na cidade de McAllen, onde participaria da celebração da missa e distribuiria a Sagrada Comunhão aos fiéis.

Da Redação

A freira nigeriana Sister Leticia “Letty” Ugboaja, de 56 anos, falou publicamente pela primeira vez desde que foi detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no sul do Texas. O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre as ações da imigração contra pessoas que vivem há anos no país, mesmo cumprindo todas as determinações impostas pela Justiça.

A religiosa foi abordada por dois agentes do ICE no dia 28 de junho, enquanto caminhava de sua residência até a igreja Our Lady of Sorrows, na cidade de McAllen, onde participaria da celebração da missa e distribuiria a Sagrada Comunhão aos fiéis.

Segundo ela, mesmo após explicar aos agentes que estava a caminho da igreja e pedir autorização para participar da celebração religiosa, o pedido foi negado.

“Mesmo quando eu perguntei se poderia ir à missa, participar da celebração e receber a comunhão, a resposta foi simplesmente ‘não'”, relatou a freira.

Embora tenha sido liberada ainda no mesmo dia, Leticia continua enfrentando incertezas sobre seu futuro migratório. Ela tem uma audiência de acompanhamento com as autoridades de imigração marcada para 28 de julho, quando poderá ser novamente detida ou obrigada a usar uma tornozeleira eletrônica enquanto seu caso permanece em análise.

Seu advogado, Carlos M. Garcia, afirmou que a defesa trabalha para que a apresentação ao ICE seja cancelada. Segundo ele, não há justificativa para novas medidas restritivas contra uma pessoa que jamais representou risco à sociedade.

“Estamos pedindo que ela não seja detida novamente e que não seja obrigada a usar tornozeleira eletrônica. Ela não violou nenhuma regra, nunca representou perigo e dedicou mais de dez anos de sua vida trabalhando como enfermeira e servindo à comunidade religiosa”, afirmou.

Leticia vive no sul do Texas há mais de uma década e trabalhou como enfermeira registrada em diversos hospitais da região. Após sua detenção, parlamentares federais que representam o Vale do Rio Grande criticaram a ação do ICE e anunciaram que buscariam interceder em favor da religiosa.

A situação jurídica da freira é considerada complexa. Em 2019, um juiz negou seu pedido de asilo, mas reconheceu que ela correria sério risco de sofrer perseguição e tortura caso fosse devolvida à Nigéria. Por isso, concedeu proteção contra deportação com base na Convenção das Nações Unidas Contra a Tortura.

Apesar dessa proteção, como o pedido de asilo foi oficialmente negado, ela permanece sob uma ordem final de remoção. De acordo com seu advogado, desde a decisão judicial Leticia cumpriu rigorosamente todas as exigências das autoridades migratórias, compareceu a todas as convocações, manteve autorização de trabalho válida e jamais descumpriu qualquer condição imposta pelo governo americano.

Segundo a defesa, durante a detenção de junho, o ICE não pretendia deportá-la para a Nigéria, mas sim para um terceiro país. Essa prática passou a ser utilizada com maior frequência durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, como forma de ampliar as deportações de imigrantes que não podem ser enviados ao país de origem devido ao risco comprovado de perseguição, tortura ou outras violações de direitos humanos.

Ao decidir falar publicamente, Leticia afirmou que deseja dar voz a pessoas que vivem situações semelhantes e que muitas vezes são retiradas de suas casas sem a oportunidade de contar suas histórias.

“Eu acredito que toda pessoa que passa por uma situação como a minha merece ser ouvida, merece atenção e merece a oportunidade de explicar sua história antes de ser levada”, declarou.

O caso continua sendo acompanhado por líderes religiosos, organizações de direitos dos imigrantes e representantes políticos do Texas, que aguardam a decisão das autoridades federais sobre o futuro da religiosa nos Estados Unidos.

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