Enquanto o governo sustenta que o local funciona de forma adequada, ativistas, familiares e ex-detentos apontam para uma grave crise humanitária que ameaça os direitos e a dignidade de centenas de imigrantes sob custódia federal.
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Governo Trump nega greve de fome em centro de detenção de imigrantes na Flórida; denúncias apontam crise humanitária
A Coalizão de Imigrantes da Flórida (FLIC, na sigla em inglês) acusa o governo do presidente Donald Trump de encobrir uma greve de fome em andamento em um novo centro de detenção de imigrantes, apelidado de “Alcatraz dos Jacarés”, localizado no coração dos Everglades, na Flórida. O local, inaugurado no fim de junho pelo próprio presidente, abriga milhares de imigrantes em processo de deportação.
“Os próprios detentos dizem que estão em greve de fome”, afirmou Thomas Kennedy, representante da FLIC, à agência de notícias alemã DPA. “Sabemos que várias pessoas foram levadas ao hospital. É uma situação bizarra”, acrescentou. Segundo ele, as alegações do Departamento de Segurança Interna (DHS), que nega a existência do protesto, são “uma mentira estranha e facilmente refutável”.
Vídeos divulgados pela FLIC na última semana mostram ambulâncias saindo das dependências do centro de detenção. Kennedy afirma estar em contato com mais de 20 familiares de detentos, e que cerca de uma dúzia de homens participam do protesto, recusando alimentação em resposta às condições consideradas desumanas dentro da unidade.
Apesar disso, o governo dos EUA rejeitou as acusações. Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), o DHS classificou as informações como “fake news” e garantiu que “não há greve de fome em Alcatraz dos Jacarés”. Segundo o órgão, os detidos recebem três refeições diárias, além de água e bebidas em quantidade suficiente. “O bem-estar das pessoas sob custódia do ICE é prioridade máxima”, declarou a agência.
No entanto, familiares e organizações de direitos civis contestam essa versão. Segundo reportagem da CNN, baseada em relatos de parentes e políticos democratas, os detentos estariam sendo mantidos “em gaiolas”, sob calor extremo, com banheiros quebrados, falta de higiene, alimentação inadequada, escassez de água potável e sem acesso regular a advogados.
A organização ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) entrou com uma ação judicial contra o governo Trump, denunciando “condições desumanas” no centro. “Não podemos permitir que essa catástrofe humanitária se agrave”, afirmou a entidade.
A instalação, construída com apoio da Casa Branca, foi projetada para facilitar as deportações em massa anunciadas por Trump durante sua campanha. O governo alega que o espaço abriga “imigrantes ilegais criminosos” e representa uma medida “eficiente e econômica” para reforçar sua política migratória.
Enquanto o governo sustenta que o local funciona de forma adequada, ativistas, familiares e ex-detentos apontam para uma grave crise humanitária que ameaça os direitos e a dignidade de centenas de imigrantes sob custódia federal.




