Segundo documentos obtidos pela Associated Press (AP), a estrutura funcionará oficialmente como uma “área de preparação” (staging area) e não como um centro de detenção tradicional.
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Governo Trump planeja novo centro do ICE na Louisiana para acelerar deportações de famílias e crianças imigrantes
Da Redação
O governo do presidente Donald Trump prepara a abertura de uma nova instalação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na cidade de Alexandria, no estado da Louisiana, com capacidade para 528 pessoas, destinada a receber famílias e menores desacompanhados durante os preparativos finais para deportação. Localizada ao lado do Aeroporto Internacional de Alexandria, considerado um dos principais centros de voos de remoção do país, a unidade faz parte da estratégia da administração para tornar o processo de deportação mais rápido e eficiente.
Segundo documentos obtidos pela Associated Press (AP), a estrutura funcionará oficialmente como uma “área de preparação” (staging area) e não como um centro de detenção tradicional. O ICE afirma que os migrantes permanecerão no local por, no máximo, 72 horas, período necessário para organizar embarques em voos de deportação. A escolha da localização busca eliminar dificuldades logísticas enfrentadas pelo governo ao reunir famílias e crianças que atualmente estão distribuídas em abrigos, programas de acolhimento e lares temporários em diferentes estados americanos.
A necessidade de uma estrutura desse tipo ficou evidente no ano passado, quando crianças guatemaltecas foram retiradas de abrigos durante a madrugada, transportadas às pressas para Harlingen, no Texas, e permaneceram por horas aguardando em uma pista de aeroporto antes de serem deportadas. A operação acabou sendo suspensa por decisão de um juiz federal, mas expôs os desafios enfrentados pelas autoridades migratórias para organizar deportações envolvendo menores de idade.
Defensores dos imigrantes demonstram preocupação
Embora o governo sustente que a instalação terá caráter temporário, organizações de defesa dos direitos dos imigrantes demonstram preocupação com a possibilidade de famílias e crianças permanecerem no local por períodos muito superiores ao previsto.
Leecia Welch, diretora jurídica da organização Children’s Rights, afirmou que a criação da unidade representa uma expansão inédita do sistema de deportação.
“É uma expansão do sistema de deportação de maneiras que ainda não vimos antes. Há muitas coisas que podem dar errado nessa instalação”, declarou.
Advogados especializados também questionam o nível de fiscalização da unidade e alertam que menores desacompanhados, que atualmente são encaminhados para abrigos licenciados pelo governo por meio do Office of Refugee Resettlement (ORR), poderão passar a permanecer sob custódia direta do ICE durante a etapa final da deportação.
Administração ficará com empresa ligada ao setor prisional
A nova instalação será administrada pela LaSalle Family Foundation, braço sem fins lucrativos da empresa LaSalle Corrections, uma das maiores operadoras privadas de presídios e centros de detenção migratória do sul dos Estados Unidos.
De acordo com Ralph Hennessy, diretor executivo da England Airpark Authority, responsável pela área onde a instalação está sendo construída, a expectativa é que a unidade entre em funcionamento já em agosto.
Embora o contrato oficial esteja vinculado à fundação sem fins lucrativos da empresa, documentos analisados pela AP mostram que a própria LaSalle Corrections participará diretamente da operação e da supervisão do centro.
Inicialmente, a organização Compass Connections, do Texas, havia sido escolhida para auxiliar na administração da instalação, mas informou recentemente que não faz mais parte do projeto.
Governo afirma que unidade atenderá famílias em “autodeportação”
Durante reuniões públicas realizadas pelas autoridades locais, representantes do projeto afirmaram que o centro foi planejado para atender principalmente famílias que optaram por retornar voluntariamente ao país de origem, em um processo que o governo chama de “self-deportation” (autodeportação).
Segundo Hennessy, essas famílias estariam retornando ao país “como uma unidade familiar”. No entanto, organizações de defesa dos direitos dos imigrantes argumentam que muitas dessas decisões são tomadas sob pressão ou sem que os migrantes compreendam plenamente todas as alternativas legais disponíveis.
Documentos internos do ICE, porém, deixam claro que as pessoas encaminhadas ao centro permanecerão sob custódia legal da agência, podendo ser liberadas apenas mediante autorização do próprio ICE.
As diretrizes também determinam que funcionários não utilizem termos como “presos”, “detentos” ou “internos” para se referirem às famílias hospedadas na unidade. Além disso, orientam que não sejam utilizadas grades ou gaiolas durante o transporte, permitem que os migrantes usem suas próprias roupas e dispensam procedimentos tradicionais de contagem de presos, comuns em estabelecimentos de detenção.
Local ficará ao lado de um dos maiores centros de deportação do país
A escolha de Alexandria tem importância estratégica. Dados do projeto ICE Flight Monitor, da organização Human Rights First, mostram que mais de 4.400 voos de fiscalização migratória pousaram ou decolaram do Aeroporto Internacional de Alexandria ao longo de 2025, tornando o local um dos principais pontos de embarque de deportações nos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que a proximidade entre a nova instalação e o aeroporto poderá reduzir significativamente o tempo necessário para executar ordens de remoção emitidas pelas autoridades migratórias.
Histórico da empresa gera questionamentos
A participação da LaSalle Corrections também desperta preocupação entre entidades de direitos humanos. A empresa administra diversos centros de detenção do ICE na região sul dos Estados Unidos, incluindo unidades na Louisiana.
Desde abril deste ano, foram registradas duas mortes de pessoas sob custódia em um centro administrado pela empresa. Além disso, uma inspeção realizada em junho pelo Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna (DHS) identificou falhas relacionadas à saúde ambiental, segurança, alimentação, uso da força e atendimento médico em outra instalação operada pela companhia, o Winn Correctional Center.
Até o momento, o ICE não informou uma data oficial para a inauguração da nova unidade, mas autoridades locais afirmam que os trabalhos avançam e que o centro poderá começar a receber migrantes nas próximas semanas, reforçando a política de endurecimento da fiscalização imigratória adotada pela administração Trump.
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