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Revista Brazilian Times # 84
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GREG BOVINO: Filho de imigrantes que se tornou o “caçador de imigrantes” mais temido nos EUA

Gregory K. Bovino, que era o comandante-geral da Patrulha de Fronteira até a morte de um enfermeiro no estado de Minnesota, nasceu e foi criado na Carolina do Norte em uma família de imigrantes italianos — um detalhe que sobressai diante de sua atual posição no centro da política imigratória mais dura do país. 

Gregory K. Bovino, que era o comandante-geral da Patrulha de Fronteira até a morte de um enfermeiro no estado de Minnesota, nasceu e foi criado na Carolina do Norte em uma família de imigrantes italianos — um detalhe que sobressai diante de sua atual posição no centro da política imigratória mais dura do país. 

Enquanto seus antepassados cruzaram o Atlântico em busca de oportunidades, até recentemente Bovino liderava operações de detenção e deportação de imigrantes sem documentação, tanto nas fronteiras internacionais, quanto no interior do território norte-americano. 

A Patrulha de Fronteiras, agência dentro do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, sigla em inglês) e ligada ao Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês), passa por uma expansão de autoridade nas mãos de Bovino. 

Oficial desde 1996, ele foi alçado a uma posição de destaque na administração do presidente Donald Trump, sendo designado como liderança máxima de operações de imigração em grandes centros urbanos como Chicago e Los Angeles. 

Nos últimos meses, uma série de campanhas de fiscalização interior — longe da fronteira física com México e Canadá — marcou a atuação da Patrulha de Fronteira sob seu comando. Em Chicago, a chamada “Operation Midway Blitz”, promovida pelo DHS com suporte da Border Patrol, resultou em milhares de prisões de imigrantes indocumentados desde setembro de 2025 e desencadeou protestos em várias comunidades. 

Autoridades locais e grupos de direitos civis denunciaram prisões indiscriminadas, alegando que muitos detidos não têm antecedentes criminais nem ligação com crimes violentos. Bovino defendeu publicamente essas ações como cumprimento de mandatos federais. 

Em entrevistas, ele afirmou que a atuação dos agentes sob sua liderança seguiu a política oficial da CBP e descreveu a resposta a protestos e confrontos como necessária e “exemplar”. Apesar disso, dados analisados por organizações como o Project on Government Oversight (POGO) mostram que o setor de El Centro, que Bovino chefiou, apresentou uma taxa de uso de força por apreensões significativamente maior do que outros setores fronteiriços, indicando práticas mais duras em relação a detenções e confrontos com civis. 

Organizações de direitos humanos, incluindo a American Civil Liberties Union (ACLU), têm criticado a intensificação das operações e alertado para riscos à proteção de direitos civis básicos. Segundo a ACLU, a transferência de agentes da Patrulha de Fronteira para funções tradicionalmente exercidas por outras agências — como o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) — levanta “preocupações sobre abuso de autoridade e falta de prestação de contas”. 

As ações sob o comando de Bovino também provocaram reações políticas intensas. Governadores democratas, como Gavin Newsom (Califórnia), chegaram a criticar duramente o estilo e as táticas, refletindo uma polarização crescente sobre a presença e métodos federais em cidades-santuário. Após um episódio de confronto em Minneapolis envolvendo agentes federais que terminou com a morte de um manifestante, Newsom chegou a pedir a destituição de líderes do DHS e da Border Patrol, acusando-os de uso excessivo da força. 

Alguns dias depois, a administração Trump anunciou que ele estava sendo destituído do cargo e voltaria às suas funções antigas.

A história de Bovino — do filho de imigrantes italianos ao comandante de uma máquina estatal de caça a imigrantes — encapsula a profunda contradição que permeia o debate migratório nos Estados Unidos. Autoridades aliadas o apresentam como um defensor intransigente da lei e da segurança nacional. Ao mesmo tempo, críticos acusam sua liderança de fomentar um modelo de policiamento que ultrapassa fronteiras e direitos civis, transformando a Patrulha de Fronteira em um ator central da repressão interior. 

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