Organizações de defesa dos direitos civis dos Estados Unidos denunciaram condições consideradas desumanas em um centro de detenção de imigrantes na Flórida. A Baker Correctional Institution, conhecida como “Deportation Depot”, abriga aproximadamente 1.200 estrangeiros e enfrenta acusações de negligência médica, alimentação inadequada, água imprópria para consumo, calor extremo, violência física e psicológica e restrições ao acesso à assistência jurídica.
Em 8 de outubro, a American Civil Liberties Union (ACLU), ACLU da Flórida, Americans for Immigrant Justice e Southern Poverty Law Center (SPLC) encaminharam uma notificação formal às autoridades estaduais, ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e às empresas responsáveis pela instalação. O documento exige providências e alerta para possíveis processos judiciais.
As denúncias foram reunidas por meio de entrevistas com imigrantes atualmente detidos, ex-detentos, familiares e advogados. Segundo as organizações, muitos entrevistados afirmaram ter sofrido diretamente os abusos ou testemunhado situações semelhantes.
Entre os relatos estão privação de sono, falta de alimentos adequados, consumo de água considerada contaminada e exposição prolongada a temperaturas elevadas. Também foram mencionados episódios de violência atribuídos a agentes de segurança e dificuldades para receber atendimento médico.
Amy Godshall, advogada especializada em direitos dos imigrantes da ACLU da Flórida, criticou a participação do governo estadual na administração de centros de detenção migratória.
“A Flórida não deveria administrar centros de detenção de imigrantes”, declarou.
Segundo ela, a experiência anterior do estado provocou danos a milhares de pessoas, gerou processos judiciais e custou mais de US$ 1 bilhão aos contribuintes. Godshall afirmou que as condições denunciadas na Baker Correctional Institution são igualmente perigosas e defendeu seu fechamento imediato.
A unidade funcionava anteriormente como uma prisão estadual desativada e foi adaptada para receber imigrantes em 2025. Sua administração envolve algumas das mesmas empresas e agências que participaram da operação do centro conhecido como “Alligator Alcatraz”, instalado na região dos Everglades.
Inaugurado em julho de 2025, aquele complexo foi alvo de denúncias de abusos, negligência e temperaturas extremas, sendo fechado em junho de 2026, conforme informações apresentadas pelas organizações.
Marisol Dominguez-Ruiz, advogada do National Prison Project da ACLU, afirmou que os problemas não terminaram com o encerramento daquela instalação.
Segundo ela, os abusos estariam se repetindo na Baker Correctional Institution, onde imigrantes enfrentariam condições potencialmente fatais e violência praticada por guardas.
Acesso à Justiça também é questionado
Além das condições físicas, as entidades denunciam obstáculos à comunicação entre detentos e advogados. Essas restrições poderiam prejudicar a defesa dos imigrantes e prolongar sua permanência sob custódia.
A.J. Hernandez, vice-diretor jurídico do Southern Poverty Law Center, afirmou que todas as pessoas merecem tratamento digno, independentemente da situação migratória.
O advogado classificou as condições relatadas como tortura, mencionando fome, privação deliberada de sono e consumo forçado de água deteriorada. Segundo ele, os danos físicos e psicológicos poderão acompanhar os imigrantes mesmo depois da libertação.
Autoridades podem enfrentar ações judiciais
A notificação foi encaminhada ao Departamento de Gerenciamento de Emergências da Flórida, ao ICE, ao GEO Group e a outras entidades contratadas.
As organizações sustentam que as práticas denunciadas violam a Constituição americana, a legislação federal e os padrões nacionais de detenção do ICE para 2026.
Caso não sejam adotadas providências, autoridades e empresas poderão enfrentar processos judiciais. As acusações ainda dependem de investigação e não representam conclusões judiciais definitivas.





