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Revista Brazilian Times # 85
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Imigrantes escolhem coragem diante do medo enquanto legisladores avançam medidas de proteção em Massachusetts

Entre desafios e avanços, a mensagem que ecoa em Massachusetts é de que, diante do medo, a coragem coletiva pode ser o caminho para mudanças concretas.


Em meio ao aumento das tensões imigratórias nos Estados Unidos, comunidades imigrantes em Massachusetts têm adotado uma postura de resistência, apostando na mobilização coletiva e no diálogo político como resposta ao medo gerado por políticas federais mais rígidas.

Durante o 30º dia anual de lobby organizado pela Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition, realizado no State House, em Boston, líderes comunitários, ativistas e imigrantes de diversas origens reforçaram a mensagem central do evento: “coragem acima do medo”.

Entre os destaques esteve a brasileira Lenita Reason, diretora executiva do Brazilian Worker Center, que arrancou risos do público ao relatar um episódio de discriminação linguística no transporte público. Ao ser repreendida por falar português, respondeu com ironia, lembrando que muitos americanos também possuem sotaques regionais marcantes. O episódio, apesar do tom leve, reflete um cenário mais amplo de tensões culturais e sociais.

O evento reuniu uma audiência expressiva no Gardner Auditorium e serviu como palco para alertas sobre o aumento de operações de fiscalização migratória conduzidas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE), além de propostas federais que buscam restringir programas como o Status de Proteção Temporária (TPS), essencial para milhares de imigrantes — incluindo haitianos que atuam na linha de frente do sistema de saúde do estado.

Apesar do cenário adverso, exemplos de resistência têm surgido. Redes comunitárias em East Boston têm monitorado ações do ICE, enquanto intervenções públicas em cidades como Worcester demonstram a disposição de parte da população em proteger imigrantes.

“Este é o nosso momento de fazer nossas vozes serem ouvidas”, afirmou Elizabeth Sweet, representante da coalizão organizadora. “Há muitas forças contra nós, mas nos unimos para demonstrar coragem e pedir que nossos líderes também ajam com coragem.”

No campo político, sinais de avanço começam a surgir. A Câmara estadual, de maioria democrata, iniciou a tramitação do chamado PROTECT Act, projeto que pretende limitar significativamente a cooperação entre autoridades locais e agentes federais de imigração. Segundo o deputado estadual Dan Cahill, a proposta busca garantir diretrizes claras para a atuação das forças de segurança, preservando o devido processo legal e protegendo vítimas, testemunhas e acusados.

A legislação, liderada pelo deputado Andres Vargas, pode ser votada nas próximas semanas e conta com apoio de lideranças influentes, incluindo a governadora Maura Healey, que já assinou uma ordem executiva restringindo o acesso de agentes federais a propriedades estaduais.

Durante o evento, Healey destacou o impacto humano das políticas federais. “É devastador ver crianças com medo de ir à escola, pessoas evitando consultas médicas ou tribunais por receio. Isso compromete a segurança pública”, afirmou.

O debate ocorre em um momento politicamente sensível, com a aproximação das eleições legislativas de 2026 e o embate entre políticas estaduais democratas e a linha dura do governo do presidente Donald Trump na área migratória.

Pesquisas recentes indicam que a opinião pública em Massachusetts tende a apoiar medidas mais protetivas. Levantamento da Universidade de New Hampshire aponta que quase dois terços dos entrevistados acreditam que as políticas federais tornaram o país menos seguro.

Para parlamentares como a senadora estadual Cindy Friedman, o momento exige posicionamento firme. “Este é um teste dos nossos valores e da nossa coragem”, declarou. Já o deputado Carlos Gonzalez reforçou o tom de resistência: “Quanto mais nos pressionam, mais fortes nos tornamos unidos.”

Para imigrantes como Lenita Reason, que aguardou 17 anos para regularizar sua situação, a urgência é clara. “Quando dizem para entrarmos na fila, precisam entender o tamanho dessa fila”, afirmou.

Entre desafios e avanços, a mensagem que ecoa em Massachusetts é de que, diante do medo, a coragem coletiva pode ser o caminho para mudanças concretas.

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