O caso do mexicano Carlitos Ricardo Parias, conhecido nas redes sociais como “Richard LA”, volta a chamar atenção nos Estados Unidos. Conhecido por registrar operações policiais e ações de agentes de imigração nas ruas de Los Angeles, o criador de conteúdo e jornalista cidadão se aproxima de 300 dias sob custódia federal, após ter sido baleado durante uma tentativa de prisão em outubro de 2025.
Parias foi detido em 21 de outubro de 2025, quando agentes federais tentaram cumprir um mandado administrativo de imigração em Los Angeles. Durante a abordagem, agentes cercaram o veículo em que ele estava. Segundo a versão apresentada pelas autoridades, Parias teria movimentado o carro contra os veículos utilizados no bloqueio.
Um agente federal abriu fogo. Parias foi atingido no braço e um deputy U.S. marshal também sofreu ferimento na mão após um disparo ricochetear. O mexicano foi levado ao hospital, passou por cirurgia e posteriormente acabou transferido para a custódia migratória.
Inicialmente, Parias enfrentou uma acusação federal de agressão contra um agente. O processo, entretanto, sofreu uma reviravolta. Em dezembro de 2025, um juiz federal rejeitou a acusação criminal após concluir que o mexicano havia sido privado de acesso adequado aos seus advogados durante um período considerado crítico para sua defesa.
O encerramento do processo criminal, porém, não significou sua libertação. Parias continuou detido por causa de seu processo migratório e permanece no Adelanto ICE Processing Center, na Califórnia.
Além do longo período de detenção, familiares e apoiadores passaram a denunciar as condições de saúde do mexicano. A família afirma que Parias continua enfrentando fortes dores e complicações relacionadas ao ferimento sofrido durante a prisão e questiona o atendimento médico oferecido enquanto ele permanece sob custódia.
Sua esposa, Gabriela Hernández, chegou a manifestar preocupação com a possibilidade de o marido sofrer consequências permanentes no braço atingido.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), por sua vez, sustenta que Parias recebeu atendimento médico diversas vezes desde que entrou na custódia migratória e destaca que ele já havia passado por cirurgia antes de ser transferido para o centro de detenção.
O caso ganhou repercussão política e passou a ser citado nas discussões sobre assistência médica dentro dos centros de detenção do ICE. A deputada federal da Califórnia Sydney Kamlager-Dove mencionou a situação de Parias ao defender medidas destinadas a ampliar mecanismos de fiscalização e denúncias envolvendo possíveis casos de negligência médica.
Parias também denunciou as condições dentro de Adelanto. Em uma gravação divulgada recentemente, ele mostrou uma garrafa com água turva e o que aparentavam ser pequenos organismos, levantando novos questionamentos sobre as condições enfrentadas pelos detidos.
Agora, quase 300 dias depois de ter sido baleado e preso, o mexicano continua sob custódia do ICE enquanto seu futuro migratório permanece indefinido. O caso reúne questões que vão além da imigração e alimenta o debate sobre uso da força em operações federais, acesso à defesa jurídica, duração das detenções e atendimento médico oferecido a imigrantes sob custódia nos Estados Unidos.





