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Revista Brazilian Times # 83
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Mãe detida pelo ICE no Arizona pode perder audiência criminal e caso gera embate entre autoridades locais e imigração

Jessica responde na Justiça do Condado de Pima, no Arizona, por três acusações de furto em estabelecimentos comerciais e uma acusação de roubo, envolvendo supostamente mais de US$ 4 mil em mercadorias.

Da redação

A detenção de uma imigrante sob custódia do serviço de imigração dos Estados Unidos está provocando um impasse judicial no estado do Arizona e reacendendo o debate sobre os limites da atuação das autoridades federais em casos criminais estaduais. O centro da polêmica envolve Jessica Corrales-Duarte, presa pelo serviço de imigração americano e atualmente mantida no centro de detenção de Eloy Detention Center, no Arizona.

Jessica responde na Justiça do Condado de Pima, no Arizona, por três acusações de furto em estabelecimentos comerciais e uma acusação de roubo, envolvendo supostamente mais de US$ 4 mil em mercadorias. O indiciamento foi formalizado em setembro do ano passado, mas sua prisão pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement, ocorrida em janeiro, criou incerteza sobre sua participação em uma audiência judicial marcada para esta semana.

O escritório do promotor do Condado de Pima criticou duramente a atuação das autoridades federais, afirmando que a detenção estaria interferindo diretamente no andamento do processo criminal estadual. Em nota oficial, os promotores acusaram o governo federal de prejudicar a busca por justiça e dificultar a resolução adequada do caso perante os tribunais locais.

A situação ganhou repercussão política após a deputada federal democrata Adelita Grijalva pedir publicamente a libertação imediata de Jessica. A parlamentar defendeu a suspensão de qualquer processo de deportação e afirmou que a detenção estaria separando a mulher de sua família de maneira injusta.

Por outro lado, o ICE rebateu as acusações e declarou que Jessica não possui documentação legal que permita sua permanência nos Estados Unidos, garantindo que ela será temporariamente liberada sob ordem judicial para comparecer às audiências criminais no Arizona. A agência classificou como falsas as alegações de que estaria impedindo sua apresentação no tribunal.

Outro ponto de disputa envolve o histórico migratório da imigrante. Segundo o ICE, Jessica teve o benefício do programa Deferred Action for Childhood Arrivals, conhecido como DACA, formalmente encerrado em janeiro de 2026, após receber uma notificação oficial em novembro de 2025. Já aliados políticos e sua defesa sustentam que ela deveria continuar protegida pelo programa, argumentando que foi levada do México para os Estados Unidos quando tinha apenas dois anos de idade.

A controvérsia também se estende à gravidade das acusações. Enquanto registros judiciais apontam que Jessica responde por crimes classificados como felonies — categoria equivalente a crimes graves —, a deputada Adelita Grijalva afirmou publicamente que o caso envolveria apenas delitos menores, o que aumentou ainda mais a discussão sobre a condução do processo.

O episódio acontece em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, que tem ampliado operações de detenção e deportação em todo o país, provocando confrontos cada vez mais frequentes entre autoridades federais e governos locais sobre os limites da política de imigração nos Estados Unidos.

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